A temporada de baleias-francas em Santa Catarina já se consolidou como um evento turístico de destaque, atraindo visitantes de diversas regiões do Brasil e do exterior. Cidades litorâneas como Paulo Lopes, Garopaba e outras são os principais destinos para quem busca avistar esses grandes mamíferos marinhos. Esse fluxo de turistas tem gerado um impacto econômico significativo, movimentando setores como comércio, hotelaria e serviços locais.
Observação de baleias atrai turistas e movimenta comércio
Em Paulo Lopes, no Sul do estado, a Praia da Gamboa tornou-se um ponto estratégico para a observação de baleias. Um mirante construído no local oferece vista privilegiada do mar, onde os animais são vistos com frequência. Comerciantes locais relatam aumento nas vendas durante a temporada. Tânia Abreu Leal, proprietária de um estabelecimento próximo, afirma: "Elas nos trazem um alívio financeiro e, também, essa maravilha que é vê-las praticamente todos os dias, alegrando a nós e aos turistas que vêm para cá". Victor Hugo Rodrigues da Silva, outro comerciante, observa que a movimentação cresceu muito nos últimos anos: "Vem gente de todo lugar. De Norte a Sul, de Leste a Oeste, até internacionais. Eles estão sempre por aqui, querendo desvendar, através dos mistérios do mar, as baleias".
Hotéis e pousadas registram alta ocupação
O setor de hospedagem também colhe os frutos do turismo de observação de baleias. Sandro Svaldi, proprietário de uma pousada em Paulo Lopes, relata que a chegada dos animais impulsiona a ocupação em 100%. "Está impactando assim 100% da nossa hospedagem", declarou o empresário. Essa demanda reflete a importância do evento para a economia local, que depende cada vez mais do turismo sazonal.
Secretaria de Turismo destaca benefícios sem dados oficiais
A secretária de Cultura, Turismo e Desenvolvimento Econômico de Paulo Lopes, Leonara Rodrigues Sebastião, admite que o município ainda não possui um levantamento oficial sobre o impacto econômico desse tipo de turismo, mas reconhece sua influência positiva. "Embora ainda não tenhamos dados oficiais sobre a movimentação econômica gerada por esse fluxo, sabemos que ele contribui para fortalecer o turismo de natureza e beneficia diversos segmentos ligados à atividade turística no município", afirmou. Ela destaca o exemplo de uma trilha que leva à Praia da Guarda do Embaú, onde visitantes podem avistar as baleias. "A Praia da Guarda do Embaú, que pertence ao território de Paulo Lopes, pode ser acessada também pela trilha das Dunas e da Pedra do Faísca, um dos principais pontos de contemplação das baleias. Entre julho e novembro, é bastante significativo o número de visitantes que percorrem essa trilha para realizar o avistamento".
Preservação garante retorno das baleias a Santa Catarina
O aumento no número de baleias que visitam o litoral catarinense é resultado de décadas de esforços de conservação. A região da Gamboa faz parte da Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca (APA da Baleia Franca), criada para proteger as enseadas onde mães e filhotes encontram abrigo. Eduardo Renault Braga, coordenador do Instituto Australis, explica: "A gente vê um crescimento populacional acontecendo. Hoje, ele está estimado em torno de 4,8% ao ano". Esse crescimento é fundamental para a continuidade do turismo de observação.
Reprodução e ciclo de vida das baleias-francas
Cada baleia-fêmea dá à luz um filhote a cada três anos, em média, segundo Eduardo Renault Braga. "Elas vão ter um filhote a cada três anos. Então, ela fica um ano grávida, ela fica um ano amamentando o filhote e um ano de descanso", detalha. As baleias-francas são avistadas com frequência em Santa Catarina entre julho e setembro, período em que migram para águas tropicais mais quentes para acasalar e procriar. Karina Groch, diretora de pesquisa e bióloga do Instituto Australis, ressalta a importância desse período para a espécie.
Impacto do turismo de observação na região
O turismo de observação de baleias tem se mostrado uma atividade sustentável que alia lazer e conservação ambiental. A presença dos animais atrai fotógrafos, pesquisadores e turistas de todo o mundo, gerando receita para hotéis, restaurantes, comércios e serviços de guia. Apesar da falta de dados consolidados, a percepção dos empresários e gestores públicos é de que o impacto é altamente positivo, fortalecendo a economia local e incentivando a preservação das baleias e de seu habitat.



