O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Foi o terceiro corte consecutivo no ciclo de afrouxamento monetário iniciado em março de 2025, após a taxa ter atingido 15% ao ano em junho de 2025.
Cenário inflacionário preocupa
Na avaliação do Banco Central, desde a última reunião em abril, o quadro inflacionário piorou, tanto no comportamento dos preços quanto nas projeções de inflação. O comunicado divulgado após a decisão destaca que "o aumento da incerteza pede cautela na condução da política monetária".
Decisão do Fed e impacto nos mercados
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), sob a presidência de Kevin Warsh, manteve os juros na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano. No entanto, a maioria dos diretores do Fed prevê alta nos juros americanos ainda em 2026, o que reverteu as direções das bolsas americana e brasileira, que fecharam em baixa. O dólar subiu para R$ 5,10.
Pressões fiscais e de crédito
Daniel Telles, sócio da Valor Investimentos, comenta que o incentivo ao crédito e as contas públicas menos diligentes limitam o espaço para quedas adicionais dos juros no Brasil. "Você tendo um país que não é tão diligente com as contas públicas, que está fazendo com que a projeção de dívida PIB aumente, apesar da arrecadação também aumentar, há um certo receio no mercado, e o reflexo disso é o pedido por juros mais agressivos", afirmou.



