O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar a política de juros do Banco Central durante evento em Brasília nesta terça-feira. Em declaração contundente, Lula afirmou que a alta taxa básica de juros é uma decisão exclusiva da instituição e que prejudica o desenvolvimento do país.
Críticas à política monetária
“O Banco Central não pode continuar mantendo os juros nesse patamar elevado. Isso é uma decisão deles, que impacta diretamente na vida do povo brasileiro e na geração de empregos”, disse Lula. O presidente destacou que a política monetária atual trava o crescimento e dificulta o acesso ao crédito para empresas e consumidores.
Segundo Lula, a taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, é um dos principais entraves para a retomada econômica. Ele cobrou do Banco Central uma postura mais alinhada com as necessidades do país. “Não é possível que a gente tenha uma taxa de juros dessas enquanto a inflação está controlada. Isso é um absurdo”, completou.
Impacto econômico
Especialistas apontam que a manutenção dos juros elevados tem impacto direto no custo do crédito e no endividamento das famílias. Dados do Banco Central mostram que a inadimplência atingiu 4,2% em maio, o maior nível desde 2017. Para o presidente, a solução passa por uma revisão da política monetária.
A declaração de Lula ocorre em meio a tensões entre o governo e o Banco Central, que tem autonomia formal desde 2021. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, já afirmou que as decisões são técnicas e visam controlar a inflação. No entanto, Lula insiste que a instituição precisa ser mais sensível às demandas sociais.
Repercussão política
A fala do presidente gerou reações imediatas no mercado financeiro. O dólar subiu 0,8% e a Bolsa fechou em queda de 1,2% após as declarações. Analistas veem risco de aumento da intervenção governamental na política monetária. “O presidente está pressionando o BC de forma explícita, o que pode afetar a credibilidade da instituição”, avaliou o economista Carlos Melo, da FGV.
Por outro lado, aliados de Lula defendem que a crítica é legítima. “O Banco Central precisa olhar para o crescimento, não apenas para a inflação. A taxa de juros atual é um freio para o desenvolvimento”, afirmou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner.



