A dívida pública bruta do Brasil subiu para 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em maio, superando as projeções do mercado. O resultado representa um aumento de 0,5 ponto percentual em relação ao mês anterior, quando o indicador estava em 80,6% do PIB. A alta foi puxada pelo pagamento de juros e pelo déficit primário do governo central.
Impacto dos juros e do déficit primário
Segundo dados divulgados pelo Banco Central, o crescimento da dívida reflete principalmente a apropriação de juros nominais, que somaram R$ 50 bilhões no mês. Além disso, o déficit primário do governo central — que exclui gastos com juros — alcançou R$ 30 bilhões em maio, contribuindo para o aumento do endividamento.
“A trajetória da dívida continua preocupante, especialmente com a perspectiva de juros elevados por mais tempo”, afirmou o economista-chefe de uma consultoria, em nota. O mercado esperava que a dívida bruta ficasse em torno de 80,5% do PIB.
Comparação com meses anteriores
Em abril, a dívida já havia registrado alta, passando de 80,2% para 80,6% do PIB. O resultado de maio reforça a tendência de deterioração fiscal, em meio a incertezas sobre o cumprimento da meta de resultado primário para 2025.
A dívida líquida do setor público, que considera os ativos do governo, também subiu, passando de 64,2% para 64,7% do PIB no mesmo período.
Perspectivas para o próximo semestre
Analistas projetam que a dívida bruta continue em trajetória ascendente nos próximos meses, podendo atingir 82% do PIB até o fim do ano, caso o cenário fiscal não melhore. O governo tem buscado aprovar medidas de ajuste, mas enfrenta resistência no Congresso.



