A dívida pública bruta do Brasil subiu mais que o esperado em maio, atingindo 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados pelo Banco Central. O resultado superou a mediana das projeções do mercado, que era de 80,8%.
Piora do endividamento preocupa mercado
O aumento da dívida foi impulsionado principalmente pelos juros elevados e pelo déficit fiscal do governo. Em abril, o indicador estava em 80,5% do PIB. A trajetória ascendente acende alerta entre analistas, que esperam uma piora adicional nos próximos meses.
Segundo o BC, a dívida líquida do setor público também subiu, passando de 59,9% para 60,2% do PIB no mesmo período. O crescimento reflete o aumento das despesas com juros e a baixa arrecadação.
Impacto nos mercados e expectativas
A notícia gerou reação negativa nos mercados financeiros. O Ibovespa operava em queda, enquanto o dólar subia ante o real. Analistas do mercado de renda fixa também ajustaram suas projeções para a taxa Selic, que deve permanecer em patamar elevado por mais tempo.
O governo federal, por meio do Ministério da Fazenda, afirmou que segue comprometido com o arcabouço fiscal e que as medidas de ajuste estão em andamento. No entanto, especialistas apontam que o cumprimento da meta de déficit zero em 2024 se torna cada vez mais desafiador.
Comparação internacional
O nível de endividamento brasileiro ainda é inferior ao de países como Estados Unidos (cerca de 120% do PIB) e Japão (acima de 250%), mas superior ao de outras economias emergentes, como México (cerca de 50%) e Índia (cerca de 85%). A relação dívida/PIB é um dos principais indicadores monitorados por agências de classificação de risco.
Para o economista-chefe de uma consultoria, 'o Brasil precisa de um ajuste fiscal crível para evitar que a dívida continue crescendo e comprometa a capacidade de investimento do país'.



