Déficit público recorde de R$ 1,26 tri com juros altos e gastos
Déficit público recorde: R$ 1,26 tri com juros e gastos

O déficit nominal do setor público brasileiro atingiu um novo recorde de R$ 1,26 trilhão nos 12 meses encerrados em maio, segundo dados divulgados pelo Banco Central. O valor representa uma alta de mais de R$ 300 bilhões em relação ao período anterior, impulsionado por uma combinação de juros estratosféricos e aceleração nos gastos públicos.

Composição do déficit recorde

O resultado é composto por um déficit primário de R$ 280 bilhões e uma conta de juros de R$ 980 bilhões. A piora no resultado primário reflete o aumento das despesas obrigatórias e discricionárias, enquanto a escalada dos juros decorre da manutenção da Selic em patamares elevados, atualmente em 14,25% ao ano.

Segundo analistas, o crescimento do déficit nominal era esperado, mas a magnitude surpreendeu. “A combinação de política fiscal expansionista com política monetária contracionista gera um círculo vicioso: mais gastos pressionam a inflação, que exige juros mais altos, que elevam a dívida”, afirma o economista-chefe de uma consultoria independente.

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Impactos fiscais e perspectivas

O recorde acende alerta para a sustentabilidade fiscal do país. A dívida bruta do governo geral também subiu, aproximando-se de 80% do PIB. Especialistas apontam que, sem um ajuste fiscal crível, o Brasil pode enfrentar aumento do risco-país e pressão sobre o câmbio.

O governo, por sua vez, defende que os gastos são necessários para estimular a economia e que a trajetória da dívida será estabilizada com o crescimento econômico. “Estamos investindo em infraestrutura e programas sociais que geram retorno no longo prazo”, afirmou o ministro da Fazenda em coletiva.

Contexto político e eleições

O resultado ocorre em meio a um ano eleitoral, o que dificulta a implementação de medidas de austeridade. A oposição critica a gestão fiscal e promete, se eleita, revisar os gastos públicos. O mercado acompanha com atenção os próximos passos do governo, especialmente a definição do Orçamento de 2027.

Para o diretor de política fiscal do Banco Central, o cenário exige “responsabilidade de todos os poderes” para evitar que o déficit se torne estrutural. “O momento demanda um pacto fiscal que vá além do curto prazo”, declarou.

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