Ações da Petrobras disparam mais de 2% com múltiplos catalisadores
As ações da Petrobras (PETR3;PETR4) fecharam a sessão desta quarta-feira (22) em alta de mais de 2%, com PETR3 registrando avanço de 2,39%, a R$ 47,90. O movimento ocorreu em meio a um dia bastante positivo para os ativos brasileiros, especialmente as blue chips, mas com motivos específicos para a estatal estatal ter seu dia de ânimo. Confira abaixo os quatro motivos principais.
Fluxo estrangeiro impulsiona blue chips
O Ibovespa fechou em alta firme, acima dos 177 mil pontos, alimentado pelo retorno do fluxo estrangeiro, que se direciona para blue chips, incluindo a Petrobras. Para Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, a sequência de quedas acumuladas pela Bolsa deixou espaço para o investidor entrar, aproveitando um cenário um pouco mais calmo, ainda que não necessariamente tão favorável. "Temos, de certa forma, o investidor local e estrangeiro procurando pechinchas, depois de quedas tão relevantes", afirma, destacando que as novidades são do lado corporativo.
Alta do petróleo eleva preços
O avanço do petróleo também impulsionou as ações de petroleiras como um todo. Os preços do petróleo fecharam nesta quarta-feira em seu nível mais alto desde 11 de junho, devido às crescentes preocupações com a oferta, à medida que as hostilidades se intensificam entre os Estados Unidos e o Irã. As ameaças à navegação por parte da milícia houthi, apoiada pelo Irã, no Iêmen, impulsionaram ainda mais os preços.
Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam com alta de US$ 3,06 (3,36%), a US$ 94,07 o barril, o maior valor em pouco menos de seis semanas, após atingirem máxima de US$ 95,47 durante o pregão. O petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA subiu US$ 2,49 (2,95%), para US$ 86,83. O spread temporal de três meses do Brent ampliou-se para US$ 9,26 por barril, o maior nível desde 22 de maio, aprofundando o fenômeno de "backwardation" devido aos crescentes riscos de oferta. O backwardation ocorre quando o petróleo com entrega imediata é negociado a preço superior ao dos barris com entrega futura, sinalizando oferta mais restrita no curto prazo.
BB Investimentos eleva recomendação para compra
Apostando no petróleo mais alto, o BB Investimentos, em relatório assinado pelo analista Daniel Cobucci, elevou a recomendação da Petrobras (PETR4) de neutro para compra, citando a persistência do risco geopolítico e a criação de um patamar mais elevado para os preços do petróleo. O banco manteve o preço-alvo de R$ 45. Segundo o banco, o mercado de petróleo continua marcado por forte volatilidade e por sinais crescentes de que a relação entre oferta e demanda pode voltar a apresentar desequilíbrios relevantes.
Cenário mais positivo para o refino
Também tem ganhado força no mercado a visão de que o segmento de refino, visto como um dos elos mais fracos da companhia, pode se tornar um ponto positivo para a estatal. Relatório recente do BTG Pactual chamou atenção para o potencial do downstream — divisão que engloba refino, transporte e comercialização de derivados — de se transformar em uma fonte relevante de geração de caixa para a estatal, justamente em um momento em que o mercado monitora os riscos de um petróleo menos favorável nos próximos anos.
O principal fator por trás dessa mudança é o cenário global para as margens de refino, conhecidas como crack spreads — indicador que mede a diferença entre o custo do petróleo bruto e o preço dos derivados produzidos pelas refinarias, como diesel e gasolina. Para André Matos, CEO da MA7 Capital, o mercado pode estar subestimando a relevância dessa dinâmica para a Petrobras.



