O Tesouro Nacional iniciou uma ofensiva junto a investidores e agências de classificação de risco para vender o plano do governo de recuperar o grau de investimento do Brasil. A estratégia, detalhada em reuniões fechadas, prevê um conjunto de medidas fiscais e reformas estruturais que, segundo a equipe econômica, podem devolver ao país o selo de bom pagador perdido em 2015.
Metas e compromissos fiscais
O plano apresentado pelo Tesouro estabelece como meta central o déficit primário zero a partir de 2024, com superávits crescentes nos anos seguintes. Para isso, o governo se compromete a conter o crescimento das despesas obrigatórias, como aposentadorias e salários do funcionalismo, e a retomar o controle das contas públicas. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, "a trajetória fiscal é crível e baseada em medidas já encaminhadas ao Congresso".
Reformas estruturais
Além do ajuste fiscal de curto prazo, o governo aposta em reformas de longo prazo para convencer as agências de rating. Entre elas, destacam-se a reforma tributária, já aprovada na Câmara, e a revisão de gastos públicos, com a criação de um regime fiscal sustentável. O Tesouro também sinalizou que pretende avançar com a autonomia do Banco Central e a melhoria do ambiente de negócios.
"Estamos mostrando aos investidores que o Brasil tem um plano consistente e que estamos comprometidos com a responsabilidade fiscal", afirmou Ceron, durante apresentação a fundos de investimento em São Paulo. O governo estima que, com a implementação das medidas, o país possa recuperar o grau de investimento em até dois anos.
Impacto nas contas públicas
O plano prevê uma redução gradual da dívida pública, que atualmente gira em torno de 78% do PIB. Com as metas fiscais, a expectativa é que a dívida comece a cair a partir de 2025, aliviando a pressão sobre as contas públicas. O Tesouro também espera que a recuperação do rating reduza o custo de captação do governo e estimule investimentos estrangeiros.
"A recuperação do grau de investimento é fundamental para atrair capital de longo prazo e reduzir a volatilidade cambial", disse o economista-chefe de um banco de investimento, que participou das reuniões. Ele ressaltou que, embora o plano seja ambicioso, a execução dependerá do avanço das reformas no Congresso.
Próximos passos
O Tesouro planeja intensificar o diálogo com as agências Moody's, S&P e Fitch, que atualmente atribuem ratings especulativos ao Brasil. A meta é apresentar resultados concretos das reformas já em 2024, com a aprovação de projetos de lei e a melhora dos indicadores fiscais. O governo também conta com o apoio do mercado para pressionar por mais ajustes, caso necessário.
"O plano é bem-vindo, mas o diabo está nos detalhes. Precisamos ver a execução", comentou um gestor de recursos, que preferiu não se identificar. Apesar do ceticismo, a equipe econômica acredita que o Brasil está no caminho certo para recuperar a confiança dos investidores e, consequentemente, o grau de investimento.



