O advogado-geral da União, Jorge Messias, afirmou a aliados que sua derrota na sabatina do Senado foi resultado de um 'golpe' articulado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Segundo interlocutores, Messias também aponta envolvimento do ministro Flávio Dino.
Na noite de quarta-feira (29), Messias recebeu 42 votos contrários e 34 favoráveis à sua indicação para a vaga de ministro do STF deixada por Luis Roberto Barroso. O governo avalia que a derrota não foi circunstancial, mas fruto de articulação política.
Aliados de Dino negam qualquer participação na articulação e afirmam que ele 'lavou as mãos' em relação à indicação de Messias, por não considerá-lo o melhor nome. Nos bastidores, integrantes do governo adotaram o discurso de 'guerra' contra o que consideram um enfrentamento político direto.
Messias projeta que, caso assuma o Ministério da Justiça — cenário já discutido —, comandará politicamente a Polícia Federal. O Planalto também se indignou ao saber que o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, participou de um jantar na véspera da sabatina.
Apesar da derrota, aliados de Messias veem uma oportunidade política: o episódio pode empurrar Flávio Bolsonaro para o campo de Alcolumbre e Moraes, reforçando a narrativa de 'sistema' contra o governo. Messias afirma que não recuará e que reagirá com apoio do presidente Lula.



