As ações das petroleiras registram forte baixa na sessão desta segunda-feira (27), em um dia de derrocada para o petróleo com a pausa nos ataques dos Estados Unidos contra o Irã. Às 10h20 (horário de Brasília), PRIO (PRIO3) caía 3,40%, Petrobras (PETR3) recuava 3,15% e PETR4 desvalorizava 3,25%, enquanto PetroRecôncavo (RECV3) registrava queda de 2,36%. No entanto, a baixa não foi proporcional à desvalorização do petróleo na sessão.
Petróleo Brent despenca mais de 9%
O petróleo Brent chegou a cair mais de 9% em Londres, recuando para menos de US$ 88 o barril, poucos dias depois de ter ultrapassado a marca de US$ 100. A referência americana West Texas Intermediate (WTI) também recuou, assim como o gás natural europeu. A queda abrupta reflete a suspensão das operações militares dos EUA, que após 13 noites consecutivas de ataques destinados a reduzir a capacidade do Irã de atacar navios comerciais, aparentemente interromperam as ações desde o final da sexta-feira.
A República Islâmica, por sua vez, sinalizou que se absteria de qualquer retaliação e manteve conversas com Omã sobre o Estreito de Ormuz, um ponto estratégico para o transporte de petróleo. A pausa nos combates gerou expectativas de que as tensões no Oriente Médio possam diminuir, aliviando os riscos de interrupção no fornecimento global de energia.
Navios prontos para carregar no Mar Negro
Ao mesmo tempo, navios estão prontos para carregar petróleo no terminal do Caspian Pipeline Consortium, na costa russa do Mar Negro, o principal ponto de exportação para barris do Cazaquistão. Embarcações haviam sido alvo de ataques de drones ucranianos nos últimos dias, deixando os armadores relutantes em atracar no local e bloqueando um ponto vital de abastecimento para compradores europeus.
Com a redução dos riscos geopolíticos, o mercado de petróleo opera mais aliviado, mas os contratos futuros ainda acumulam alta de cerca de 20% neste mês. Isso ocorre porque os Houthis, apoiados pelo Irã, continuam a ameaçar as exportações sauditas a partir do Mar Vermelho — uma rota alternativa crucial desde que a guerra prejudicou o fluxo através de Ormuz. O conflito, que completa cinco meses, alimentou receios de um choque inflacionário à medida que os estoques diminuem e os preços dos combustíveis disparam.
Analista alerta para risco de cessar-fogo temporário
“A pausa nos ataques e os relatos de progresso nas negociações aumentaram as expectativas de que um caminho para a desescalada surja novamente, o que poderia levar a uma retomada dos fluxos”, disse Saul Kavonic, analista sênior de energia da MST Marquee, em entrevista à Reuters. No entanto, “há um alto risco de que qualquer cessar-fogo se mostre apenas temporário”, acrescentou ele.
Antes da pausa na ação militar dos EUA, o presidente Donald Trump havia levantado a possibilidade de intensificar as ações, ecoando uma longa série de ameaças de escalada do conflito. O presidente disse ao site Axios na semana passada que estava considerando um “ataque massivo”. Questionado no fim de semana, no programa Meet the Press da NBC, se o líder dos EUA havia decidido não escalar o conflito, o embaixador nas Nações Unidas, Mike Waltz, disse que ele estava “dando espaço às negociações”.
Houthis reivindicam ataques à Saudi Aramco
Enquanto isso, militantes houthis no Iêmen afirmaram ter atingido instalações ligadas à Saudi Aramco nas cidades portuárias de Jizan e Yanbu, no Mar Vermelho, no sábado. No entanto, nem Riad nem a produtora estatal confirmaram a informação. Yanbu, o terminal ocidental do oleoduto Leste-Oeste, tornou-se o principal ponto de escoamento de petróleo bruto do reino desde que o Estreito de Ormuz foi efetivamente fechado. Jizan abriga uma refinaria e um terminal de exportação.
O mercado permanece atento aos desdobramentos geopolíticos. Apesar da trégua momentânea, analistas apontam que a volatilidade deve continuar, com possíveis novos picos nos preços caso as hostilidades sejam retomadas. A dependência global de rotas alternativas, como o Mar Vermelho, e a fragilidade dos cessar-fogos mantêm o setor de petróleo em estado de alerta.



