Minério de ferro cai pela 5ª sessão com fraca demanda na China
Minério de ferro cai pela 5ª sessão com fraca demanda

Os contratos futuros de minério de ferro registraram queda pelo quinto pregão consecutivo nesta terça-feira, 9 de julho, em meio à fraca demanda sazonal por aço na China, maior consumidor mundial do metal. Os preços do carvão metalúrgico e do coque também despencaram, com a reabertura de mais minas de carvão após inspeções de segurança decorrentes de um acidente fatal em maio.

Desempenho dos contratos

O contrato de minério de ferro com vencimento em setembro, o mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian, fechou o pregão com queda de 0,2%, cotado a 760 yuans (US$ 112,22) por tonelada métrica, aproximando-se das mínimas de dois meses. Já o contrato de referência para julho, na Bolsa de Cingapura, subiu 0,52% para US$ 100,7 por tonelada, mas permanece nas mínimas desde o início de março, pressionado pelas margens mais baixas das siderúrgicas e pela recente queda nos fretes.

Demanda e estoques

Embora os embarques de minério de ferro continuem a aumentar, o volume de retirada nos portos chineses caiu, refletindo a desaceleração da demanda das siderúrgicas, conforme nota do Mercado de Metais de Xangai. A demanda sazonalmente fraca por aço deve continuar pressionando os preços do minério de ferro no curto prazo, agravada pela compressão das margens de lucro do aço devido ao aumento dos custos do carvão metalúrgico e do coque, afirmaram analistas do ING.

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Setor automotivo e manufatureiro

As vendas de automóveis na China caíram 22,3% em relação ao ano anterior, totalizando 1,53 milhão de veículos em junho, o oitavo mês consecutivo de queda, segundo dados da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros (CPCA). O setor manufatureiro chinês tornou-se um grande consumidor de aço, absorvendo a oferta que antes era destinada ao setor imobiliário. Em 2025, a manufatura deverá representar cerca de 53% do consumo total de aço na China, enquanto a construção civil responderá por 36%, de acordo com a consultoria Mysteel.

Análise do Bradesco BBI

O Bradesco BBI reforça que o setor siderúrgico global voltou a dar sinais de deterioração, com queda de rentabilidade e pressão sobre margens. As taxas de utilização dos altos-fornos recuaram na última semana, embora permaneçam acima de 90%. A parcela de siderúrgicas operando com lucro caiu pela terceira semana consecutiva, atingindo 59%, refletindo o enfraquecimento do ambiente operacional. Essa compressão é impulsionada pela queda nos preços do aço e pela elevação dos custos, especialmente do carvão metalúrgico.

Além disso, mudanças na dinâmica logística global afetam o setor: os fretes na rota Austrália-China registraram forte queda semanal, enquanto os custos entre Brasil e China seguem elevados, criando uma distorção que tende a pressionar o minério de ferro brasileiro.

Projeto Simandou

Do lado da oferta, o projeto de Simandou, um dos maiores desenvolvimentos de minério de ferro do mundo, voltou ao radar. Após um início lento devido a gargalos logísticos, as exportações da região se recuperaram em maio. A SimFer reiterou a meta de atingir a capacidade total no segundo semestre de 2028, o que pode aumentar a competição global no médio prazo.

Sinais de melhora

Apesar do cenário desafiador, há sinais pontuais de melhora. O Bradesco BBI destaca a redução dos estoques de aço e insumos ao longo da cadeia produtiva, sugerindo um ajuste mais saudável entre oferta e demanda em algumas regiões. Nos Estados Unidos, o spread do aço para vergalhão se manteve estável, e os preços da sucata pouco variaram, indicando uma dinâmica balanceada.

No Brasil, o quadro é misto. As siderúrgicas tentam repassar custos por meio de aumentos de preços, com resultados desiguais: o aço laminado a quente (HRC) mostrou estabilidade, influenciado pelo ritmo mais lento da demanda durante o período de festas, enquanto o vergalhão registrou alta, acompanhando o avanço dos custos dos insumos. Mesmo com alguma melhora recente nos fundamentos, como preços internacionais mais elevados e restrição na oferta de importados, o banco avalia que a demanda doméstica ainda fraca pode limitar novos reajustes no curto prazo.

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Recomendações do banco

Diante desse cenário, o Bradesco BBI mantém postura seletiva no setor. A preferência do banco segue concentrada em Ternium e Vale (VALE3), ambas com recomendação outperform (desempenho acima da média), enquanto Gerdau (GGBR4), CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5) permanecem com recomendação neutra. A leitura reflete a busca por empresas mais bem posicionadas diante de maior volatilidade, custos elevados e menor visibilidade de demanda.