Os investidores estão cada vez mais impacientes com os gastos exuberantes das grandes empresas de tecnologia em inteligência artificial, e a Microsoft Corp. e a Meta Platforms Inc. serão as próximas a serem testadas. Ambas divulgam seus resultados após o fechamento do mercado na quarta-feira, e embora se espere crescimento acelerado, o foco de Wall Street estará em outro lugar.
Na semana passada, a Alphabet Inc. surpreendeu com resultados melhores do que o esperado, mas suas ações tiveram o pior dia em mais de um ano. O motivo? A controladora do Google apresentou fluxo de caixa negativo pela primeira vez como empresa de capital aberto, reflexo dos crescentes investimentos em IA.
O ceticismo do mercado
Microsoft e Meta, junto com Alphabet e Amazon.com Inc., estão entre as maiores investidoras em IA. No entanto, são vistas como carentes de algumas qualidades de liderança da Alphabet no setor. “Se a Alphabet não conseguiu convencer os investidores de que seus gastos são justificados, então a Microsoft e a Meta provavelmente enfrentarão um caminho mais difícil para fazer o mesmo”, disse Tim Ghriskey, estrategista sênior de portfólio da Ingalls & Snyder, que administra cerca de US$ 11 bilhões em ativos e possui ações de ambas.
As ações da Microsoft caíram 19% este ano, figurando entre as 20 piores do Nasdaq 100, que acumula alta de 10% em 2026. Já as ações da Meta recuaram 10%, e as da Amazon, que divulga seus resultados na quinta-feira, estão estáveis.
Os números da Microsoft
O investimento de capital da Microsoft, incluindo arrendamentos financeiros, deve ultrapassar US$ 42 bilhões no quarto trimestre fiscal, elevando o total do ano fiscal de 2026 para US$ 146,6 bilhões. Esse valor é quase o dobro dos US$ 24,2 bilhões gastos no mesmo período do ano anterior. Para o ano fiscal de 2027, analistas preveem gastos superiores a US$ 230 bilhões, enquanto o fluxo de caixa livre ajustado deve cair para US$ 32 bilhões, ante US$ 62,3 bilhões em 2026.
Assim como no caso da Alphabet, os investidores analisarão o negócio de computação em nuvem em busca de sinais de que os investimentos geram crescimento. Espera-se que a unidade Azure registre um aumento de quase 40% na receita trimestral. No entanto, a receita de nuvem da Alphabet saltou mais de 80%, superando expectativas, mas não animou os investidores. “Para a Microsoft, acho que a situação é mais nebulosa”, afirmou Paul Meeks, chefe de pesquisa de tecnologia da Freedom Capital Markets. “Parece que o Google está conquistando participação de mercado de todos.”
Valuation e perspectivas
Analistas projetam que a Microsoft terá aumento de 15% na receita total e de 16% no lucro líquido, com crescimentos percentuais de dois dígitos previstos para cada um dos próximos três anos fiscais. As ações da Microsoft estão cotadas a menos de 20 vezes o lucro estimado para os próximos 12 meses, abaixo da média de 10 anos de 27 e do múltiplo de 21,4 do Nasdaq 100.
Os desafios da Meta
Embora as ações da Meta estejam ainda mais baratas, negociando a menos de 15 vezes o lucro futuro, a empresa enfrenta um caminho mais incerto para justificar seus investimentos em IA. A Meta deve investir US$ 135,6 bilhões em despesas de capital em 2026 e mais de US$ 175 bilhões em 2027. Para financiar, tem emitido títulos de dívida e, segundo relatos, considera levantar dezenas de bilhões em oferta de ações.
O impacto na posição de caixa é significativo. Analistas esperam que o fluxo de caixa livre caia para menos de US$ 1 bilhão este ano, ante US$ 46 bilhões em 2025. A projeção é de que se torne negativo em 2027, antes de voltar ao positivo em 2028. “Se você busca fluxo de caixa, não vai encontrar aqui”, disse Ghriskey. “Há um futuro para eles, mas o retorno sobre o investimento a curto prazo é difícil, e é preciso muita fé para possuir as ações.”
Prevê-se crescimento de receita de 26% este ano, seguido de desaceleração. O lucro líquido deve aumentar 40% em 2026, mas apenas 6,5% em 2027.
Estratégias futuras
Diferentemente de outras grandes investidoras em IA, a Meta não possui um negócio de infraestrutura em nuvem para vender poder computacional a terceiros. No entanto, a empresa estaria desenvolvendo planos nesse sentido e negociando aluguel de poder computacional à Anthropic. Essas medidas mostram o potencial da empresa e a volatilidade do sentimento, segundo Matt Stucky, gestor de portfólio de ações da Northwestern Mutual Wealth Management, que possui ações da Meta. “As pessoas acham que é o melhor negócio do mundo quando as ações estão em alta e acham que os executivos estão passando por dificuldades se as ações estiverem em baixa”, afirmou. “As estimativas têm viés para cima se a execução for boa”, mas “é preciso se sentir confortável com a volatilidade”.



