Política fiscal ideal para conter dívida pública no Brasil
Melhor política fiscal para conter dívida pública

Em meio ao crescente endividamento do governo federal, especialistas consultados pelo projeto 'O País que Queremos' apontam que a melhor política fiscal para conter a dívida pública brasileira combina corte de gastos, reforma tributária e regras fiscais críveis. A dívida bruta do governo geral atingiu 78,3% do PIB em 2024, segundo o Banco Central, e projeções indicam trajetória ascendente sem medidas corretivas.

Corte de gastos como prioridade

Para a maioria dos economistas ouvidos, o ajuste fiscal deve começar pelo lado da despesa. 'O Brasil gasta mal e gasta muito. É preciso rever subsídios, rever programas ineficientes e cortar privilégios', afirma o economista José Roberto Afonso, do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação. Ele defende que o governo estabeleça um teto de gastos realista, com gatilhos automáticos para despesas obrigatórias.

Dados do Tesouro Nacional mostram que as despesas primárias cresceram 5,2% acima da inflação em 2024, impulsionadas por Previdência e pessoal. 'Sem controle das despesas obrigatórias, qualquer regra fiscal será ineficaz', alerta Afonso.

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Reforma tributária e simplificação

A reforma tributária é apontada como essencial para aumentar a eficiência econômica e a arrecadação sem elevar a carga. 'O sistema atual é complexo e regressivo. Uma reforma ampla, com unificação de impostos sobre consumo e redução de exceções, pode gerar ganhos de PIB e receita no médio prazo', explica a economista Laura Carvalho, da USP. Ela ressalta que a reforma aprovada em 2023 é um passo, mas precisa de regulamentação rápida.

Estudo do Banco Mundial indica que a simplificação tributária pode aumentar o PIB em até 3% em dez anos, contribuindo para a redução da relação dívida/PIB.

Regras fiscais críveis e independentes

Os especialistas defendem regras fiscais que sejam respeitadas e tenham enforcement. 'O arcabouço fiscal atual, com âncoras como o teto de gastos e a meta de resultado primário, foi constantemente furado. É preciso um conselho fiscal independente ou um órgão com poder de veto', sugere o economista Manoel Pires, do FGV Ibre. Ele cita exemplos internacionais, como o Conselho Fiscal do Reino Unido, que avalia as projeções do governo.

A pesquisa 'O País que Queremos' ouviu 15 especialistas de diferentes correntes. A maioria concorda que não há solução única, mas um pacote de medidas é necessário. 'Política fiscal não é só cortar ou gastar, é ter credibilidade. Sem ela, os juros sobem e a dívida explode', conclui Pires.

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