Uma ação judicial movida por um auxiliar administrativo de Curitiba contra as Lojas Americanas resultou em condenação por racismo. O caso ocorreu em 15 de julho de 2007, na loja da rede no shopping Mueller, quando Gesse Gomes, 36, e seu filho de 15 anos foram abordados por um funcionário após o alarme de segurança disparar.
Segundo a ação, o funcionário, que atuava como repositor de prateleiras, teria gritado: “Parem imediatamente. Abram as bolsas e coloquem todos os pertences para fora”. Ao filho de Gomes, ele teria dito: “Você, crioulinho, pegou alguma coisa da loja?”. O pai e o filho foram obrigados a esvaziar os bolsos, mas o alarme continuou disparando até que o pai retirou um pendrive do bolso da camisa do filho.
Após o incidente, o funcionário teria virado as costas e dito: “São todos negros, não valem nada”. O filho de Gomes passou a apresentar sintomas de trauma, necessitando de acompanhamento psicológico. “Ele não sai na rua com medo”, afirmou o pai. A advogada do caso, Andréa Lima, informou que solicitou as imagens gravadas pela loja, mas a empresa não pediu desculpas. A associação de lojistas do shopping, no entanto, se desculpou.
Uma audiência de conciliação ocorreu em 27 de agosto de 2007, mas não houve acordo. O valor pedido na ação é de R$ 14 mil por danos morais. Uma nova sessão para apresentação de testemunhas e contestação da defesa foi marcada para 3 de dezembro. Uma cliente que presenciou os fatos se ofereceu como testemunha.
Em nota, as Lojas Americanas informaram que “o processo ainda está em andamento e que a empresa aguarda determinação da Justiça”. O shopping Lapa também foi citado na ação.



