Os juros reais do Tesouro Direto seguem em alta, concentrando-se nos prazos intermediários e longos. Nesta terça-feira (30), as taxas do Tesouro IPCA+ avançam pelo segundo pregão consecutivo, enquanto os prefixados operam estáveis. O destaque é o título com vencimento em 2037 e pagamento semestral, que atingiu 7,94% ao ano de remuneração real, ameaçando o patamar psicológico de 8% já alcançado pelo papel mais curto, de 2032.
Taxas do Tesouro IPCA+ sobem de forma generalizada
O IPCA+ 2050 subiu de 7,33% na segunda-feira para 7,37% nesta terça, acumulando 14 pontos-base em dois dias úteis. O IPCA+ 2040 avançou de 7,64% para 7,68%. Já o IPCA+ com juros semestrais 2045 registra 7,67%, e o 2060, 7,54%. A piora fiscal divulgada pelo Banco Central nesta manhã é o principal vetor de pressão.
Déficit fiscal maior que o esperado eleva prêmios de risco
O déficit nominal do governo central somou R$ 149 bilhões em maio, acima do consenso de R$ 148,3 bilhões. A dívida bruta subiu para 81,1% do PIB, superando a expectativa de 80,2% e os 80,4% de abril. Segundo Valdir Piran Jr, CEO da Intra Asset, "mais do que o nível da dívida, o mercado observa sua trajetória e a capacidade do país de estabilizá-la ao longo do tempo. Quando surgem dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal, investidores passam a exigir prêmios de risco maiores, pressionando a curva de juros e elevando o custo de financiamento da economia". Ele afirma que essa dinâmica afeta a oferta de crédito, com impactos sobre alavancagem e governança corporativa.
Especialistas alertam para contágio na economia real
André Luiz Haas Caruso, CEO da Pilar Capital, reforça que "quando a dívida cresce sem uma sinalização clara de controle fiscal, o mercado passa a exigir juros mais altos para financiar o governo. Isso encarece o custo da dívida pública, pressiona a curva de juros e acaba contaminando o crédito para empresas e famílias". Para ele, "sem confiança na estabilização da dívida, o Brasil tende a conviver com juros mais altos, crédito mais restrito, menor apetite a investimento e crescimento mais fraco". Alberto Ramos, diretor de pesquisa macroeconômica para América Latina do Goldman Sachs, acrescenta que "a falta de controle dos gastos minou gravemente a credibilidade das metas fiscais e contribuiu para uma economia superaquecida e sobreendividada". Em relatório, ele aponta que "uma âncora fiscal frágil aumentou os prêmios de risco fiscal, levando a expectativas de inflação de curto e médio prazo sem ancoragem".
Mercado futuro já reflete pressão e Copom sob dúvida
Na segunda-feira, o DI para janeiro de 2031 fechou a 14,26% e o juro real da NTN-B 2035 encerrou a 8,03%, nível elevado na comparação histórica, segundo a Wagner Investimentos. Para a reunião do Copom de 5 de agosto, o mercado precificava 61% de chance de corte de 0,25 ponto percentual e 37% de manutenção da Selic, indicando que o ciclo de afrouxamento ainda é majoritário, apesar da deterioração fiscal recente.
Tabela de taxas do Tesouro Direto (9h36 de 30/7)
- Tesouro Reserva 2036: SELIC
- Tesouro Selic 2031: SELIC + 0,0743%
- Tesouro Prefixado 2029: 14,25%
- Tesouro Prefixado 2032: 14,42%
- Tesouro IPCA+ 2032: IPCA + 8,30%
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037: IPCA + 7,94%
- Tesouro IPCA+ 2040: IPCA + 7,68%
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045: IPCA + 7,67%
- Tesouro IPCA+ 2050: IPCA + 7,37%
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060: IPCA + 7,54%



