Os juros futuros no Brasil registraram alta nesta quinta-feira, refletindo a pressão global exercida pela escalada do preço do petróleo, que se aproximou dos US$ 100 por barril. O movimento ocorre em meio a preocupações com a inflação e possíveis impactos na política monetária doméstica.
Petróleo próximo de US$ 100 pressiona mercados
O barril do petróleo tipo Brent atingiu US$ 99,80, maior nível desde 2014, impulsionado por cortes de oferta da Opep+ e tensões geopolíticas. A alta da commodity eleva os custos de produção e transporte, alimentando expectativas inflacionárias globais. No Brasil, a taxa do DI para janeiro de 2027 subiu 0,08 ponto percentual, para 11,45% ao ano, enquanto o DI para janeiro de 2029 avançou 0,10 p.p., a 11,80%.
Impacto na política monetária
Segundo analistas do Banco XYZ, a alta do petróleo pode postergar o ciclo de corte de juros pelo Banco Central, já que a inflação de curto prazo tende a acelerar. O mercado monitora a próxima reunião do Copom, prevista para agosto, com expectativas de manutenção da Selic em 13,75% ao ano. “O cenário externo adverso reduz o espaço para flexibilização monetária no curto prazo”, afirmou o economista-chefe do Banco ABC, em nota a clientes.
Dólar e Bolsa acompanham movimento
O dólar comercial fechou em alta de 0,5%, cotado a R$ 5,20, também influenciado pela aversão a risco global. Já o Ibovespa recuou 0,3%, aos 118.500 pontos, com ações de empresas ligadas a commodities e consumo pressionadas. “O petróleo mais caro impacta diretamente a inflação de serviços e a confiança do consumidor, afetando setores cíclicos”, destacou relatório da corretora Delta.
Perspectivas para os próximos dias
O mercado aguarda a divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos, que podem sinalizar os próximos passos do Federal Reserve. Caso o petróleo mantenha a trajetória de alta, os juros futuros podem continuar subindo, com reflexos na curva de juros brasileira. Especialistas recomendam cautela com ativos de risco e proteção contra inflação.



