Os juros futuros brasileiros registraram forte queda nesta quinta-feira (14), impulsionados pela divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, que veio abaixo das expectativas do mercado. O dado reforçou a aposta de que o Federal Reserve (Fed) pode iniciar um ciclo de cortes na taxa de juros já na próxima reunião, em setembro.
CPI dos EUA frustra projeções e anima mercados
O CPI de junho subiu 0,2% em relação a maio, contra projeção de 0,3%, e a variação anual desacelerou para 3,0%, ante expectativa de 3,1%. O núcleo do CPI, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, avançou 0,2% no mês, também abaixo do esperado (0,3%). O dado foi divulgado pelo Departamento do Trabalho dos EUA.
"O número veio mais fraco do que o esperado, confirmando a tendência de desinflação e dando mais confiança ao Fed para começar a cortar juros", disse em nota o economista-chefe da gestora XP, Caio Megale. Segundo ele, a probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de setembro subiu para 85%, ante 70% na véspera.
Impacto imediato nas taxas brasileiras
No mercado de juros futuros brasileiro, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 caiu de 10,73% para 10,60%. O DI para janeiro de 2027 recuou de 11,50% para 11,25%. Já o DI para janeiro de 2029 passou de 11,80% para 11,55%.
A queda das taxas futuras reflete a expectativa de que o Banco Central do Brasil (BC) tenha mais espaço para reduzir a Selic, atualmente em 13,75% ao ano, sem pressionar o câmbio. "Com juros americanos mais baixos, o real tende a se valorizar, o que ajuda no controle da inflação doméstica", explicou o estrategista-chefe do banco Modalmais, Felipe Salles.
Dólar cai e Bolsa sobe
O dólar comercial fechou em queda de 1,2%, cotado a R$ 4,85, menor valor desde maio. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, subiu 1,5%, aos 120.500 pontos, impulsionado por ações de empresas domésticas sensíveis aos juros, como varejo e construção civil.
"O mercado brasileiro está surfando a onda de otimismo global, mas o cenário fiscal doméstico ainda preocupa", ponderou o analista da corretora Rico, Rafael Passos. "A queda dos juros futuros é bem-vinda, mas depende da continuidade da desinflação nos EUA e da aprovação de reformas no Brasil."
Perspectivas para os próximos meses
O mercado já precifica uma Selic terminal em 12,50% ao ano para o fim de 2023, contra 13,75% atuais. Para 2024, a mediana das expectativas do boletim Focus aponta para 10,00% ao ano. No entanto, o BC tem reiterado que não há automatismo entre a política monetária americana e a brasileira.
"A decisão do Copom será baseada nos dados de inflação, atividade e expectativas, não apenas no movimento do Fed", afirmou o diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, em evento na quarta-feira (13). A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 1º e 2 de agosto.



