Os juros futuros brasileiros fecharam em forte queda nesta terça-feira (14), reagindo ao índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, que veio abaixo do esperado pelo mercado. O dado renovou as apostas de que o Federal Reserve (Fed) pode iniciar um ciclo de cortes de juros ainda neste ano.
CPI americano surpreende para baixo
O CPI de junho nos EUA subiu 3,0% na comparação anual, ante expectativa de 3,1%. Na base mensal, a alta foi de 0,2%, também abaixo do consenso de 0,3%. A desaceleração da inflação americana foi interpretada como um sinal de que a política monetária restritiva do Fed está surtindo efeito.
“O CPI mais fraco reforça a visão de que o Fed pode cortar juros em setembro. Isso alivia a pressão sobre os mercados emergentes, incluindo o Brasil”, disse o estrategista-chefe de um grande banco de investimento, em nota a clientes.
Impacto nos juros futuros brasileiros
No Brasil, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 11,76% para 11,60% no ajuste do pregão. O DI para janeiro de 2029 recuou de 12,37% para 12,18%. Já o DI para janeiro de 2031 foi de 12,62% para 12,44%.
A queda generalizada reflete a redução do prêmio de risco exigido pelos investidores diante da perspectiva de um Fed mais dovish. Com juros americanos mais baixos, o real tende a se valorizar e a inflação brasileira pode convergir mais rapidamente para a meta, abrindo espaço para o Banco Central do Brasil (BC) também reduzir a Selic.
Mercado reduz projeções para a Selic
Após o CPI, o mercado ajustou as projeções para a taxa Selic. A probabilidade implícita de um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto do Copom subiu para 70%, ante 45% antes do dado. Para o fim de 2026, a Selic esperada caiu de 11,50% para 11,25%.
“O BC brasileiro ganha mais conforto para iniciar o afrouxamento monetário. A curva de juros já precifica cortes mais cedo e mais intensos”, afirmou o economista-chefe de uma corretora independente.
Bolsas e dólar também reagem
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, fechou em alta de 1,2%, aos 128.500 pontos, impulsionado pelo alívio nos juros. O dólar comercial caiu 0,8%, cotado a R$ 5,42, menor nível em duas semanas.
O movimento de queda dos juros futuros foi acompanhado por um forte giro financeiro, indicando entrada de capital estrangeiro em busca de renda fixa brasileira. Segundo dados da B3, o fluxo de estrangeiros para títulos de renda fixa foi positivo em R$ 1,5 bilhão no dia.
Perspectivas para os próximos meses
Analistas alertam, no entanto, que a trajetória dos juros ainda depende de outros fatores, como o cenário fiscal brasileiro e a evolução da inflação de serviços. “O CPI americano é um alívio, mas o Copom deve manter cautela. A desancoragem das expectativas de inflação no Brasil ainda preocupa”, ponderou o gestor de um fundo multimercado.
O mercado aguarda agora a ata do Fed, que será divulgada na quarta-feira, e o IPCA de junho no Brasil, previsto para sexta-feira, para confirmar a tendência de queda dos juros.



