Os juros futuros registraram forte queda nesta quarta-feira, impulsionados por dados de inflação nos Estados Unidos que vieram abaixo do esperado. O índice de preços ao consumidor (CPI) cheio caiu 0,4% em junho, superando a expectativa de recuo de 0,2% dos analistas. O núcleo do CPI, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, ficou estável, surpreendendo o mercado que previa alta de 0,2%.
Impacto nos mercados
A leitura mais fraca da inflação americana reforçou a aposta de que o Federal Reserve (Fed) pode encerrar o ciclo de aperto monetário mais cedo do que o previsto. Com isso, as taxas dos contratos futuros de juros caíram em todos os prazos negociados na B3. O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 recuou de 13,31% para 13,18%, enquanto o DI para janeiro de 2027 caiu de 12,49% para 12,28%.
Reação dos investidores
Segundo analistas, o dado de inflação abaixo do esperado nos EUA é um alívio para os mercados emergentes, incluindo o Brasil. “A desaceleração da inflação americana reduz a pressão sobre o Fed e pode permitir que o banco central brasileiro mantenha a Selic em patamares mais baixos por mais tempo”, afirmou o economista-chefe de uma corretora, sob condição de anonimato.
O movimento de queda dos juros futuros também refletiu a redução das preocupações com a inflação global, que vinha pressionando as taxas nos últimos meses. O índice de inflação ao consumidor dos EUA acumula alta de 3% nos últimos 12 meses, ainda acima da meta de 2% do Fed, mas o ritmo de desaceleração surpreendeu positivamente.
Perspectivas
Com a divulgação do CPI, as apostas no mercado futuro de juros indicam maior probabilidade de que o Fed mantenha os juros inalterados na próxima reunião, em setembro. Antes do dado, havia expectativa de um novo aumento de 0,25 ponto percentual. A taxa básica americana está atualmente na faixa de 5% a 5,25%.
No Brasil, a queda dos juros futuros também foi influenciada pela expectativa de que o Banco Central possa iniciar o corte da Selic ainda neste ano. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) indicou que a autoridade monetária está atenta aos dados de inflação e pode flexibilizar a política monetária se o cenário permitir.
O mercado agora aguarda os próximos indicadores de inflação e atividade econômica nos EUA e no Brasil para calibrar as expectativas. O índice de preços ao produtor (PPI) americano, que será divulgado na quinta-feira, pode dar mais pistas sobre a trajetória da inflação.



