A prévia da inflação de julho, o IPCA-15, surpreendeu o mercado ao registrar alta de 0,15%, abaixo do consenso de 0,22%. O resultado, divulgado nesta quarta-feira pelo IBGE, provocou uma forte reação nos ativos financeiros.
Juros futuros despencam
As taxas dos contratos de juros futuros caíram em toda a curva, com o DI para janeiro de 2027 recuando 12 pontos-base, para 12,15%. O movimento reflete a expectativa de que o Banco Central possa acelerar o ciclo de cortes na Selic.
Segundo analistas, o IPCA-15 com núcleos mais baixos e serviços desacelerando indica que a inflação está convergindo para a meta. "O dado veio muito bom, especialmente na parte de serviços subjacentes", destacou André Perfeito, economista-chefe da Galapagos Capital.
Ibovespa em alta
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, subiu 1,8%, aos 128.500 pontos, impulsionado pelos setores mais sensíveis a juros, como varejo e construtoras. As ações da Lojas Renner avançaram 4,5%, e as da MRV, 5,2%. O volume financeiro foi de R$ 25 bilhões, bem acima da média diária.
"A queda dos juros futuros melhora a precificação das empresas domésticas, que vinham sofrendo com a aversão ao risco", comentou Helena Veronese, estrategista da BGC Liquidez.
Impacto no câmbio
O dólar comercial caiu 1,3%, cotado a R$ 5,12, acompanhando o movimento global de enfraquecimento da moeda americana e o fluxo positivo para a bolsa. A melhora do cenário fiscal também contribuiu para o alívio cambial.
Expectativas para a Selic
Com o IPCA-15 abaixo do esperado, a probabilidade de corte de 0,50 ponto percentual na Selic na reunião do Copom de agosto subiu de 70% para 95%, segundo o mercado de opções. A curva de juros já precifica uma Selic terminal em 11,50% ao fim do ciclo.
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, não comentou o dado. Em discurso recente, ele reiterou que as decisões serão baseadas na evolução da inflação e das expectativas.



