Inflação nos EUA, sabatina de Warsh e PIB da China: os destaques
Inflação nos EUA, sabatina de Warsh e PIB da China

A agenda econômica desta terça-feira (14) é marcada por eventos de grande relevância para os mercados globais. Nos Estados Unidos, a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de junho será acompanhada de perto por investidores, enquanto no Senado americano ocorre a sabatina de Kevin Warsh para o cargo de presidente do Federal Reserve (Fed). Na China, o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre será publicado, trazendo sinais sobre a recuperação da segunda maior economia do mundo.

Inflação nos EUA: CPI de junho sob escrutínio

O Departamento do Trabalho dos EUA divulga, às 9h30 (horário de Brasília), o CPI de junho. A expectativa do mercado é de que a inflação ao consumidor tenha subido 0,2% na comparação mensal, após alta de 0,1% em maio. Na base anual, a projeção é de avanço de 3,1%, ante 3,3% no mês anterior. O núcleo do CPI, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, deve registrar alta de 0,2% no mês e 3,4% em 12 meses.

Os dados de inflação são cruciais para definir o ritmo de cortes de juros pelo Fed. Recentemente, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que a política monetária está restritiva e que a inflação está recuando, mas que é preciso mais confiança antes de reduzir as taxas. Um CPI abaixo do esperado pode reforçar as apostas em cortes já em setembro, enquanto uma leitura acima pode adiar esse cenário.

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Sabatina de Kevin Warsh no Senado

Kevin Warsh, indicado pelo presidente Joe Biden para a presidência do Fed, participa de sabatina no Comitê Bancário do Senado às 10h (horário de Brasília). Warsh, que já foi membro do Fed entre 2006 e 2011, é visto como um candidato com perfil mais hawkish (favorável a juros altos). Sua nomeação precisa ser confirmada pelo Senado, e a sabatina é um passo importante para avaliar suas posições sobre política monetária, regulação bancária e transparência do banco central.

O mercado estará atento a declarações de Warsh sobre o futuro dos juros, especialmente após a recente sinalização de que o Fed pode começar a cortar as taxas ainda este ano. Qualquer sinal de discordância com a atual direção do Fed pode gerar volatilidade.

PIB da China: recuperação em xeque

A China divulga, antes da abertura dos mercados asiáticos, o PIB do segundo trimestre de 2026. A expectativa é de crescimento de 5,1% na comparação anual, ligeiramente acima dos 5,0% do primeiro trimestre, mas ainda abaixo da meta oficial de 5,5% para o ano. Na base trimestral, a previsão é de alta de 1,2%, ante 1,4% no trimestre anterior.

Os dados de produção industrial e vendas no varejo de junho também serão divulgados, com expectativas de crescimento de 5,0% e 4,8%, respectivamente. A economia chinesa enfrenta desafios como a crise no setor imobiliário, desemprego juvenil elevado e demanda externa fraca. Um PIB abaixo do esperado pode pressionar o governo a anunciar novos estímulos fiscais e monetários.

Impacto nos mercados

Os eventos do dia devem ditar o humor dos investidores globais. Nos EUA, a combinação de inflação mais baixa e um discurso moderado de Warsh pode impulsionar ativos de risco, como ações e moedas de emergentes. Por outro lado, inflação resiliente e tom hawkish podem fortalecer o dólar e pressionar juros futuros.

No Brasil, a agenda local é esvaziada, mas o mercado acompanha os desdobramentos externos. O dólar opera em queda ante o real na abertura, com investidores na expectativa dos dados americanos. A taxa Selic, atualmente em 10,50% ao ano, pode ser influenciada pelo cenário internacional, especialmente se o Fed sinalizar cortes nos juros.

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