A inadimplência no Brasil atingiu um patamar recorde em maio, mesmo com a renegociação de R$ 15 bilhões em dívidas pelo programa Desenrola Brasil. A taxa média de atrasos subiu para 4,7%, com destaque para modalidades como cartão de crédito e cheque especial, que alcançaram 7,6%.
Desenrola Brasil não evita recorde de inadimplência
O programa Desenrola Brasil, lançado pelo governo federal para renegociar dívidas de pessoas físicas, já renegociou R$ 15 bilhões até maio. No entanto, a inadimplência continua subindo, atingindo o maior patamar da série histórica. Especialistas apontam que o aumento do custo de vida e as altas taxas de juros são fatores determinantes para o quadro.
Segundo dados da Serasa Experian, a taxa de inadimplência das famílias brasileiras subiu para 4,7% em maio, ante 4,5% em abril. O cartão de crédito e o cheque especial são as modalidades com maior índice de atrasos, com 7,6% de inadimplência.
Renegociação de R$ 15 bilhões não resolve causas estruturais
O programa Desenrola Brasil permitiu a renegociação de R$ 15 bilhões em dívidas, mas não ataca as causas estruturais do endividamento, como a falta de educação financeira e a renda insuficiente. Segundo o economista da Serasa, Luiz Rabi, "o programa ajuda a aliviar a situação de curto prazo, mas não resolve o problema de longo prazo".
A inadimplência no cartão de crédito é especialmente preocupante, pois as taxas de juros desse modalidade estão entre as mais altas do mercado, superando 400% ao ano. O cheque especial também apresenta juros elevados, acima de 130% ao ano.
Impacto na economia e nas famílias
A alta inadimplência afeta não apenas as famílias, que ficam com o nome sujo e dificuldade de acesso ao crédito, mas também a economia como um todo. Bancos e instituições financeiras tendem a reduzir a oferta de crédito e aumentar as taxas para compensar o risco, o que pode desacelerar o consumo e o investimento.
Segundo a Serasa, o número de consumidores inadimplentes no Brasil chegou a 70 milhões em maio, um recorde histórico. O valor médio das dívidas é de R$ 4.500,00. O programa Desenrola Brasil oferece descontos de até 90% e parcelamento em até 60 meses, mas especialistas alertam que a renegociação não é suficiente para reverter o cenário.
Perspectivas para os próximos meses
As perspectivas para os próximos meses não são animadoras. O aumento da inflação e dos juros deve manter a inadimplência em patamares elevados. O governo estuda ampliar o Desenrola Brasil, mas ainda não há detalhes sobre novas medidas. Enquanto isso, as famílias continuam enfrentando dificuldades para pagar suas contas.



