O Ibovespa opera em alta nesta sexta-feira, 3, superando os 174 mil pontos, impulsionado pelo recuo dos juros futuros e pela repercussão do payroll fraco nos Estados Unidos, mesmo com a desvalorização do minério de ferro na China. O movimento ocorre em um pregão de liquidez reduzida devido ao feriado do Dia da Independência dos EUA, que mantém Wall Street fechada.
Ibovespa vira para o positivo após abertura negativa
Após abrir na mínima de 172.790,39 pontos, o Ibovespa rapidamente ganhou tração e entrou em território positivo. Por volta das 11h, o índice apagou a queda semanal e atingiu o patamar de 174 mil pontos. Às 11h26, o Ibovespa subia 0,69%, aos 174.006,74 pontos, com máxima de 174.193,43 pontos e alta de 0,41% na semana.
A recuperação coincidiu com a valorização das ações de primeira linha, sugerindo atenção do investidor estrangeiro para o mercado brasileiro, diante do fechamento das Bolsas de Nova York. Os papéis da Petrobras (PETR3;PETR4) passaram a operar no positivo, acompanhando a virada do petróleo, que cedeu mais cedo. A Vale (VALE3) também se recuperou, apesar da queda de 1,74% do minério de ferro em Dalian, na China. Além disso, ações de bancos acentuaram o ritmo de valorização, bem como alguns papéis sensíveis ao ciclo econômico, em meio ao recuo dos juros futuros.
Payroll fraco e impacto no Fed
Segundo Thiago Salomão, fundador e CEO do Market Makers, o grande evento da semana foi o payroll – relatório do mercado de trabalho dos EUA – divulgado na quinta-feira. “A fraqueza na geração de vagas de emprego esvaziou apostas de alta de juros na próxima reunião do Fed. Isso é bom para esse momento de assimetria do Ibovespa”, afirma.
Somado a essa avaliação, Salomão destaca que o petróleo na casa dos US$ 70 o barril reduz expectativas inflacionárias à frente, o que também pode permitir menos alta de juros nos EUA e mais cortes da Selic no Brasil.
Produção industrial abaixo do esperado
Divulgada nesta sexta-feira, a produção industrial de maio recuou 0,2% na margem e subiu 0,2% na comparação com o mesmo mês de 2025. O resultado mensal contrariou a expectativa mediana de expansão de 0,2%. Em relação ao dado interanual, ficou mais perto do piso de -0,1%, que tinha teto positivo de 3,3%, com mediana em alta de 1,2%.
Os números podem reforçar o processo de desaceleração da atividade econômica brasileira, o que daria espaço para nova queda da Selic em 0,25 ponto porcentual no Comitê de Política Monetária (Copom) em agosto. Conforme o Itaú Unibanco, após um resultado forte em abril, os dados de hoje sugerem alguma moderação para a indústria. No entanto, o banco espera que a produção manufatureira permaneça relativamente estável ao longo do restante do ano, em linha com o padrão observado em 2025.
Cenário global e perspectivas
Na quinta-feira, o Ibovespa fechou com alta de 0,64%, aos 172.787,62 pontos, quase zerando a queda semanal (-0,29%). Na semana passada, subiu 2,95%. O giro financeiro somou R$ 19,57 bilhões, abaixo da média diária, entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões. Em Nova York, as bolsas encerraram sem direção única, com perdas em ações ligadas a semicondutores e inteligência artificial (IA) e em meio ao relatório de emprego dos EUA.
Segundo Alvaro Maia, da StoneX, os mercados operam em ritmo mais lento com Wall Street fechada pelo Independence Day. O payroll fraco segue repercutindo globalmente, reduzindo pressão sobre o Federal Reserve (Fed). Paralelamente, acrescenta Maia, investidores monitoram índices de gerentes de compras (PMIs) – europeus, China e Japão -, tensões comerciais entre Brasil e EUA e o comportamento das commodities.



