Investidores iniciam a semana digerindo a nova rodada de projeções no boletim Focus, especialmente para a taxa Selic, cuja estimativa para 2026 subiu de 13,75% para 14% ao ano. O aumento da taxa vem após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que trouxe um comunicado confuso, segundo analistas, e pode ser esclarecido na ata, que sai amanhã. Paralelamente, o mercado monitora as negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.
Ibovespa renova máxima com exterior favorável
Nesse ambiente, o Ibovespa sobe nesta segunda-feira, 22, acompanhando as bolsas de Nova York, após o feriado na sexta-feira nos Estados Unidos. Após abrir com viés de baixa, em 168.333,95 pontos, o Índice Bovespa foi para o positivo e renovou máxima, na marca de 170 mil pontos. A valorização é puxada principalmente por ações de bancos e algumas ligadas ao consumo.
Depois do comunicado do Copom da decisão na semana passada, a leve piora nas projeções no Focus sempre é um fator que merece ser observado, segundo Felipe Cima, especialista em renda variável da Manchester Investimentos. “Mas se petróleo seguir moderado, a inflação pode ficar mais na dependência do El Niño. Isso seria mais para frente, para setembro, outubro. Temos de monitorar, ver como o mercado reagirá às expectativas de juros”, afirma.
Focus: Selic 2026 a 14% e inflação acima da meta
Nesta segunda, o Boletim Focus mostrou que a mediana para a inflação suavizada nos próximos 12 meses subiu de 4,11% para 4,14%. A estimativa para o IPCA de 2026 foi de 5,30% para 5,33%, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. Fora o avanço na projeção mediana para a Selic em 2026, as demais ficaram inalteradas.
Na semana passada, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, conforme o esperado, para 14,25%, mas deixou dúvidas no comunicado quanto aos próximos passos da política monetária. “Se o texto da ata confirmar a postura restritiva do comunicado do Copom e sinalizar que o Banco Central não tem pressa em cortar juros, o real ganha suporte e o dólar tende a ceder. Se a ata vier com tom mais dovish – sugerindo cortes mais rápidos do que o mercado precifica -, o efeito se inverte e o dólar reage para cima”, diz João Luís Debom, head do private da Supernova Investimentos.
Alívio geopolítico impulsiona ativos de risco
No exterior, as atenções se concentram no indicador de inflação PCE e na terceira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no primeiro trimestre, além de PMIs industriais. O avanço do Índice Bovespa ocorre em meio ao cenário menos adverso, diante do progresso nas conversas entre EUA e Irã, que coloquem fim à guerra no Oriente Médio, incluindo esforços para garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz. Isso alivia bolsas, juros e valoriza moedas de emergentes como o real.
“Esses avanços contribuem para reduzir a percepção de risco geopolítico dos investidores e favorecem o desempenho de ativos de maior risco, entre eles o real, exercendo pressão baixista sobre a taxa de câmbio”, diz em nota Leonel Oliveira Mattos, analista de Inteligência de Mercados da StoneX.
Petróleo recua; Petrobras e Vale em foco corporativo
Neste cenário, o petróleo recua, o que puxa para baixo ações do setor, caso dos papéis da Petrobras (PETR3;PETR4). Já Vale (VALE3) virou para o positivo há pouco, apesar da queda de 0,87% do minério de ferro em Dalian. Outras ações de primeira linha – as de grandes bancos – sobem.
No campo corporativo, Petrobras e Vale são foco. A estatal aprovou investimento de US$ 1,2 bilhão na implantação de uma planta de bioquerosene de aviação e diesel renovável. Já a Vale convocou uma assembleia a pedido do Previ, acionista da mineradora. Além disso, a B3 estuda alterar a metodologia do Ibovespa e fazer benchmarking com índices internacionais para adotar um método mais moderno, que represente melhor o mercado brasileiro, relata o Brazil Journal. As ações da B3 subiam 2,36%, por volta das 11 horas.
Desempenho do Ibovespa e indicadores da semana
Às 11h08 desta segunda-feira, o Índice Bovespa subia 0,80%, aos 169.686,88 pontos, ante alta de 1,18% na máxima em 170.311,97 pontos, e mínima em 168.326,26 pontos, com variação zero. Esse nível é praticamente o da abertura (168.333,95 pontos). Vale subia 0,48% e Petrobras recuava entre 0,72% (PN) e 1,18% (ON). Entre bancos, as altas superavam 1% em sua maioria. Só Unit de Santander (SANB11) cedia 0,04% e Unit de BTG (BPAC11) subia 3,20%.
Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 0,03%, aos 168.333,61 pontos, mas encerrou a semana com desvalorização de 1,64%. Nesta semana, também ficam no foco o Relatório de Política Monetária (RPM), na quinta-feira, e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de junho, no mesmo dia.



