O Ibovespa fechou em alta de 1% nesta quinta-feira (22), retomando o patamar dos 170 mil pontos, após cinco pregões consecutivos de queda. O movimento foi puxado pelo progresso nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que aliviou tensões geopolíticas e estimulou o apetite por risco globalmente, acompanhando o avanço de Wall Street.
Acordo EUA-Irã e petróleo impulsionam mercado
O Tesouro dos EUA autorizou a venda de petróleo iraniano por 60 dias, como parte do acordo em andamento. A medida reduziu prêmios de risco e derrubou os preços do barril, beneficiando setores dependentes de energia. As ações da Petrobras subiram 1,5%, enquanto os bancos (Itaú, Bradesco, Santander) avançaram entre 0,8% e 1,2%.
Juros futuros em queda
No mercado de renda fixa, as taxas dos contratos futuros recuaram, com o DI para janeiro de 2027 caindo para 14,2%, ante 14,35% no dia anterior. O movimento reflete a percepção de que o Banco Central pode interromper o ciclo de alta da Selic mais cedo, diante da desaceleração da atividade econômica. O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2029 renovou máxima de 8,1% ao ano, enquanto os prefixados de curto prazo se aproximam de 15%.
Destaques corporativos: BB Seguridade e Natura
A BB Seguridade avançou 2,3% e entrou em território de sobrecompra, segundo análise técnica. Já a Natura seguiu pressionada, caindo 1,8%, com investidores preocupados com a alavancagem financeira após a reestruturação da operação na Argentina. O Goldman Sachs elevou a recomendação da Bradsaúde para compra, citando a união de crescimento e proteção.
Oportunidades na Bolsa pós correção
Analistas do Bradesco BBI apontam que ações brasileiras podem oferecer até 30% de upside, mesmo com o ambiente de juros elevados. "O mercado já precifica grande parte do aperto monetário, e as empresas estão gerando caixa", afirmou relatório. Entre as recomendações estão setores cíclicos, como construção civil e varejo, que se beneficiam da queda dos juros futuros.
Renda fixa: taxas atraentes e cautela
Com a Selic projetada em 14,25% ao ano, CDBs, LCIs e LCAs oferecem retornos reais elevados. A XP divulgou novas taxas após as projeções: CDBs de bancos médios pagam até 110% do CDI, enquanto LCAs de agronegócio chegam a 93% do CDI. Especialistas recomendam alongar o prazo para travar taxas antes de eventual corte de juros em 2026.
FIIs e dividendos: MXRF11 e Caixa Seguridade
Cotistas do fundo imobiliário MXRF11 aprovaram oferta bilionária que pode captar até R$ 1,25 bilhão, para aquisição de novos ativos. A Caixa Seguridade, por sua vez, mantém a política de distribuir 90% do lucro líquido em dividendos, o que representa um dividend yield de 8,5% ao ano, segundo estimativas.
Cenário político e externo
O presidente Lula afirmou que o governo não criará obstáculos para o governador interino do Rio de Janeiro, enquanto a eleição em Roraima segue indefinida, aguardando decisão do STF. No exterior, o cessar-fogo no Líbano se mantém, mas há temores de colapso econômico. O Papa Leão criticou líderes que "alimentam guerras" enquanto milhões passam fome.
Perspectivas para o curto prazo
O mercado monitora a ata do Copom e os dados de inflação nos EUA. Para a próxima sessão, a expectativa é de volatilidade, com o Ibovespa testando resistência nos 171.500 pontos. Caso o índice sustente o patamar, pode abrir caminho para novos recordes.



