O Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira com alta de 1%, recuperando o patamar dos 170 mil pontos. O movimento foi puxado pelo otimismo gerado pelo avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que estimulou o apetite por risco nos mercados globais, e pelo desempenho positivo das bolsas de Nova York.
Negociações EUA-Irã impulsionam mercados
O progresso nas conversas entre Washington e Teerã foi o principal catalisador do dia. O Tesouro dos EUA autorizou a venda de petróleo iraniano por 60 dias, conforme noticiado, o que aliviou tensões geopolíticas e beneficiou ativos de risco. A medida também contribuiu para a queda nos preços do petróleo, reduzindo pressões inflacionárias e melhorando o cenário para economias emergentes como o Brasil.
Em Nova York, os principais índices fecharam em terreno positivo, com o S&P 500 e o Nasdaq registrando ganhos, o que deu suporte ao Ibovespa. A correlação com os mercados americanos foi evidente, especialmente em setores como tecnologia e commodities.
Destaques do Ibovespa
Entre as ações de maior peso, a Petrobras (PETR4) subiu 0,8%, beneficiada pela melhora no cenário externo, enquanto a Vale (VALE3) avançou 1,2%, com o minério de ferro estável na China. Os bancos também tiveram desempenho positivo: Itaú (ITUB4) ganhou 0,9% e Bradesco (BBDC4) subiu 1,1%. O setor de saúde foi destaque, com a Bradsaúde sendo elevada para compra pelo Goldman Sachs, que citou a "união de crescimento e proteção".
Outro nome em evidência foi a Azzas, que registrou novo salto após anúncio de "alternativas para Farm", com analistas apontando que a operação pode destravar valor. Já a BB Seguridade avançou e entrou em território de sobrecompra, enquanto Natura seguiu pressionada.
Perspectivas para a Bolsa
O Bradesco BBI publicou relatório afirmando que ações brasileiras podem "vencer o Fed" e oferecem até 30% de upside, reforçando a visão otimista para o mercado doméstico. Apesar da recente volatilidade, a casa enxerga oportunidades em setores como consumo e financeiro.
O Ibovespa acumula alta de cerca de 5% no mês, mas ainda opera abaixo das máximas históricas. A semana negativa anterior abriu espaço para compras de oportunidades, com investidores buscando "pechinchas" e ações com bons dividendos.
Cenário macro e juros
No front doméstico, as projeções para a Selic seguem elevadas, com a renda fixa oferecendo taxas atrativas em CDBs, LCIs e LCAs. Apesar disso, o fluxo para a poupança voltou a crescer, mesmo com o chamado "prejuízo" real devido à inflação. O crédito consignado CLT registrou queda de 73% no valor tomado por trabalhador após um ano de vigência.
No cenário internacional, o cessar-fogo no Líbano se mantém, enquanto a Crimeia suspende atividades devido a ataques que reduziram o abastecimento de combustível. O Papa Leão criticou líderes que "alimentam" guerras, em meio a milhões passando fome.



