O Ibovespa opera em baixa nesta quarta-feira, mesmo com o forte desempenho das ações de petroleiras, em meio a dois fatores externos de peso: a ata do Federal Reserve (Fed) revelou divisão entre os dirigentes sobre o futuro dos juros nos Estados Unidos, e as bolsas europeias registraram o pior pregão desde março, após ameaças do ex-presidente Donald Trump contra a Espanha.
Ata do Fed expõe divergências sobre cortes de juros
A ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) mostrou que os membros do Fed estão divididos quanto ao ritmo de cortes nos juros americanos. Enquanto alguns defendem uma postura mais cautelosa diante da inflação ainda persistente, outros sinalizam que já há espaço para flexibilização monetária. Essa incerteza pesa sobre os ativos de risco globais, incluindo o mercado brasileiro.
Segundo o documento, “vários participantes notaram que a inflação continua elevada e que o progresso em direção à meta de 2% pode ser mais lento do que o esperado”. A falta de consenso aumenta a volatilidade e reduz o apetite por ativos de mercados emergentes.
Pior dia na Europa desde março com ameaça de Trump à Espanha
As bolsas europeias tiveram o pior desempenho desde março, pressionadas por declarações de Donald Trump. O ex-presidente americano voltou a criticar a Espanha, chamando o país de “parceira terrível” e ameaçando retaliar comercialmente. O índice Stoxx 600 caiu mais de 2%, com perdas generalizadas nos setores de automóveis, tecnologia e energia.
A incerteza política e comercial na Europa afeta diretamente o Ibovespa, já que investidores estrangeiros reduzem exposição a ativos de risco. No Brasil, o fluxo cambial total em 2026 até 3 de julho foi positivo em US$ 16,824 bilhões, segundo o Banco Central, mas o cenário externo adverso pode reverter essa tendência.
Vale cai 4% com corte de recomendação do Morgan Stanley
A Vale (VALE3) recuava mais de 4% nesta quarta, após o Morgan Stanley cortar sua recomendação para as ações da mineradora de “overweight” para “equal-weight”. O banco americano citou riscos de queda nos preços do minério de ferro e incertezas sobre a demanda chinesa. A forte queda da Vale, que tem peso relevante no Ibovespa, contribui para o desempenho negativo do índice.
Petroleiras sobem, mas não sustentam índice
As ações da Petrobras (PETR4) e da Prio (PRIO3) operavam em alta, impulsionadas pela valorização do petróleo no mercado internacional. O barril do Brent subia mais de 1%, cotado acima de US$ 85, com tensões geopolíticas no Oriente Médio. No entanto, o ganho das petroleiras não foi suficiente para neutralizar as perdas de Vale e de outros papéis cíclicos.
O Ibovespa, por volta das 13h, caía 0,8%, aos 128.500 pontos, com volume financeiro abaixo da média. O dólar comercial subia 0,3%, cotado a R$ 5,45, refletindo a aversão ao risco global.



