O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, experimentou uma reviravolta nesta quarta-feira, saindo de uma alta de 1% para uma queda expressiva após as declarações do novo presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Warsh. Em sua primeira reunião de política monetária, o Fed decidiu manter as taxas de juros inalteradas, mas o tom duro adotado por Warsh e a revisão das projeções de inflação elevaram a cautela entre os investidores.
Fed mantém juros, mas sinaliza aperto
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) optou por manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos no atual patamar, em linha com as expectativas do mercado. No entanto, a novidade veio na coletiva de imprensa conduzida por Jerome Warsh, que anunciou a criação de uma força-tarefa focada em cinco áreas da política monetária. O mercado interpretou o movimento como um sinal de que o Fed pode estar preparando um ciclo de aperto mais agressivo, o que gerou aversão ao risco nos mercados emergentes, incluindo o Brasil.
Durante a coletiva, Warsh destacou a necessidade de monitorar de perto a inflação e o mercado de trabalho, além de sinalizar que o banco central americano está atento aos riscos de desancoragem das expectativas inflacionárias. A revisão para cima das projeções de inflação para os próximos trimestres contribuiu para a percepção de que os juros podem permanecer elevados por mais tempo.
Impacto no mercado brasileiro
No Brasil, o Ibovespa abriu o pregão em alta, impulsionado por dados econômicos positivos e pela expectativa de que o Copom pudesse adotar uma postura mais branda. No entanto, a virada veio após a divulgação da ata do Fed, com os investidores ajustando posições. Às 15h, o índice acumulava queda de 0,8%, com destaque para as ações de consumo e tecnologia, que lideraram as perdas.
No mercado de câmbio, o dólar comercial subiu 0,5%, cotado a R$ 5,20, refletindo a fuga para ativos de segurança. Já os juros futuros de curto prazo avançaram, com o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subindo de 14,2% para 14,4%.
Reações em outros mercados
Nos Estados Unidos, as bolsas de Nova York fecharam em queda, com o S&P 500 recuando 0,7% e o Nasdaq caindo 1,1%. O rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano subiu para 4,8%, maior nível desde outubro. Na Europa, os índices fecharam mistos, com o FTSE 100 de Londres caindo 0,3%, enquanto o DAX de Frankfurt avançou 0,2%, à espera das decisões de política monetária na região.
Perspectivas para os próximos dias
Analistas apontam que o mercado deve continuar volátil nos próximos dias, com foco nas atas do Copom e nos dados de emprego nos EUA. A força-tarefa anunciada por Warsh será acompanhada de perto, especialmente em relação às áreas de comunicação, transparência e ferramentas de política monetária. No Brasil, a expectativa é de que o Copom mantenha a Selic em 14,25% na próxima reunião, mas o tom duro do Fed pode influenciar a decisão futura.
O mercado de renda fixa local também sentiu o impacto: o Tesouro Direto apresentou instabilidade, com divergências nas taxas dos títulos públicos, chegando a sair do ar em alguns momentos. Investidores migraram para ativos de curto prazo, como o Tesouro Selic, que oferece liquidez e segurança.



