O Ibovespa opera em queda nesta quarta-feira, pressionado por ações da Vale (VALE3) e do setor de construção civil, como Tenda (TEND3) e Cury (CURY3), que registram fortes baixas. O movimento ocorre em meio à divulgação da ata do Federal Reserve (Fed), que mostrou divisão entre os integrantes sobre o futuro dos juros nos Estados Unidos, e ao mau desempenho das bolsas europeias, que tiveram o pior dia desde março.
Vale cai mais de 4% após corte de recomendação
As ações da Vale (VALE3) recuam mais de 4% depois que o Morgan Stanley cortou a recomendação para o papel, de 'overweight' para 'equal-weight'. O banco citou preocupações com o cenário macroeconômico global e a demanda por minério de ferro. A queda da Vale é um dos principais fatores de pressão sobre o Ibovespa, dado o peso da mineradora no índice.
Construtoras despencam com dados abaixo do esperado
Tenda (TEND3) e Cury (CURY3) caem forte após divulgarem dados operacionais abaixo das expectativas do mercado. A Tenda registrou vendas líquidas de R$ 280 milhões no segundo trimestre, queda de 15% ante o mesmo período de 2025, enquanto a Cury teve lançamentos de R$ 1,1 bilhão, 8% abaixo do previsto. Os resultados negativos no setor imobiliário contrastam com a alta de mais de 5% da Natura (NATU3), que mesmo com prévia de lucro 10% menor no 2T26, foi beneficiada por expectativas de recuperação no segundo semestre.
Ata do Fed revela divergências sobre cortes de juros
A ata da última reunião do Fed, divulgada nesta quarta-feira, mostrou que os membros do comitê de política monetária estão divididos sobre o ritmo de cortes de juros. Enquanto alguns defendem uma postura mais cautelosa diante da inflação ainda elevada, outros argumentam que a desaceleração econômica justifica reduções mais rápidas. A incerteza pesa sobre os mercados globais.
Mercados europeus têm pior dia desde março
As bolsas europeias fecharam em forte queda, com o índice Stoxx 600 registrando o pior desempenho desde março. A ameaça do ex-presidente Donald Trump de impor tarifas sobre produtos espanhóis abalou a confiança dos investidores. O setor de tecnologia foi o mais afetado, com perdas generalizadas.
Petróleo e juros no Brasil: impacto no cenário local
No Brasil, a alta do petróleo pode travar a queda dos juros, segundo analistas. O aumento dos preços da commodity pressiona a inflação e reduz o espaço para o Banco Central continuar cortando a Selic. Apesar disso, ex-diretor do BC aposta em continuidade dos cortes, contrariando o consenso do mercado.
Dólar e criptomoedas: risco quântico assombra mercado
O dólar opera estável, enquanto o mercado de criptomoedas enfrenta um novo risco: o chamado 'risco quântico', que ameaça a segurança dos algoritmos de criptografia. Especialistas alertam que avanços na computação quântica podem tornar vulneráveis as carteiras digitais.
Outros destaques do mercado
A Apple fechou uma parceria de US$ 30 bilhões com a Broadcom para produção de chips nos EUA, reforçando sua cadeia de suprimentos. A Blue Origin, de Jeff Bezos, busca captar recursos com valuation de US$ 130 bilhões. No setor de previdência privada, os aportes caíram 10,5% até maio de 2026.



