Ibovespa avança com alívio no prêmio de risco global, mas Petrobras e Vale limitam alta
Ibovespa avança alívio risco global, mas Petrobras e Vale limitam

O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, impulsionado pela redução do prêmio de risco global, mas os ganhos foram limitados pelas quedas das ações da Petrobras e da Vale, que juntas representam cerca de 20% do índice. O principal indicador da bolsa brasileira avançou 0,62%, aos 124.581 pontos, no maior nível desde o início de junho.

Alívio no cenário externo

O movimento reflete a melhora no apetite por risco nos mercados internacionais, após declarações do Federal Reserve (Fed) sinalizando que o ciclo de aperto monetário pode estar próximo do fim. Com isso, o dólar caiu frente às principais moedas e os juros futuros nos Estados Unidos recuaram, beneficiando ativos de países emergentes como o Brasil.

“O mercado está reagindo ao cenário externo mais favorável, mas os pesos pesados limitam o potencial de alta”, disse o estrategista-chefe do Banco Modal, Lucas Barbosa. Segundo ele, a perspectiva de cortes de juros nos EUA ainda neste ano reduz a atratividade do dólar e alivia a pressão sobre moedas como o real.

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Petrobras e Vale pressionam

Apesar do ambiente positivo, as ações da Petrobras (PETR4) recuaram 1,2%, para R$ 32,40, acompanhando a queda do petróleo no exterior. O barril do Brent, referência global, caiu 1,5% com preocupações sobre a demanda global e a perspectiva de aumento da oferta pela Opep+. Já a Vale (VALE3) fechou em baixa de 0,8%, a R$ 67,20, pressionada pela desvalorização do minério de ferro na China, maior mercado consumidor.

“A Vale e a Petrobras são muito sensíveis às commodities, e o movimento de baixa nos preços internacionais acaba limitando o potencial do Ibovespa”, explicou a analista da Clear Corretora, Carla Silva. Ela acrescentou que, mesmo com o índice subindo, o desempenho dessas ações mostra que o mercado ainda está cauteloso.

Destaques do dia

Entre as maiores altas do Ibovespa, os papéis de bancos se destacaram, com Itaú (ITUB4) subindo 1,5% e Bradesco (BBDC4) avançando 1,2%, impulsionados pela expectativa de queda nos juros e melhora na perspectiva de crédito. O setor de consumo também teve bom desempenho, com a Magazine Luiza (MGLU3) saltando 3,8% após anúncio de reestruturação.

No lado negativo, além de Petrobras e Vale, as ações da Eletrobras (ELET3) caíram 1,0% com a notícia de que o governo pode rever os termos da privatização. A Usiminas (USIM5) recuou 2,1% devido à fraca demanda por aço no mercado interno.

Perspectivas

Para os próximos dias, analistas apontam que o Ibovespa pode continuar sendo beneficiado pelo cenário externo, mas a trajetória das commodities e a divulgação de balanços corporativos no Brasil serão determinantes. A agenda econômica dos EUA, com dados de emprego e inflação, também ficará no radar.

O volume financeiro negociado na B3 foi de R$ 18,6 bilhões, dentro da média diária dos últimos 12 meses. O mercado de opções mostrou aumento do otimismo, com a relação entre opções de compra e venda subindo para 1,3.

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