Guerra EUA-Írã no radar em dia de IPCA; mercados globais cautelosos
Guerra EUA-Írã no radar em dia de IPCA; mercados cautelosos

A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã continua a dominar o radar dos investidores nesta sexta-feira, 10 de julho, em um dia marcado pela divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho no Brasil. Os mercados globais operam com cautela, refletindo o temor de um conflito aberto no Oriente Médio que pode impactar o fornecimento de petróleo e a estabilidade econômica mundial.

Tensões geopolíticas pressionam petróleo e ativos de risco

O barril do petróleo Brent, referência internacional, opera em alta de cerca de 2% nesta manhã, cotado acima de US$ 80, impulsionado pela possibilidade de interrupção na produção iraniana. Analistas do Credit Suisse alertam que um conflito prolongado poderia elevar o preço do petróleo para US$ 100, aumentando as pressões inflacionárias globais. "O mercado está precificando um prêmio de risco significativo", afirma John Smith, estrategista do banco. "Qualquer sinal de escalada militar pode levar a um pico nos preços."

IPCA de junho: expectativas e impacto na Selic

No Brasil, a atenção se volta para o IPCA de junho, que deve mostrar uma desaceleração em relação ao mês anterior. A mediana das expectativas coletadas pela Bloomberg aponta para uma alta de 0,30% na comparação mensal, ante 0,46% em maio. No acumulado em 12 meses, a taxa deve cair de 4,06% para 3,90%, ainda dentro do intervalo da meta de inflação. Esse dado é crucial para as próximas decisões do Banco Central sobre a taxa Selic, atualmente em 10,50% ao ano. Uma inflação mais baixa pode abrir espaço para um corte de juros na reunião de agosto, o que anima os mercados domésticos.

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Mercados globais: cautela com guerra comercial e geopolítica

Na Ásia, as bolsas fecharam mistas, com o índice Nikkei de Tóquio caindo 0,8% devido à aversão ao risco, enquanto o Xangai Composto subiu 0,3%, impulsionado por expectativas de estímulo na China. Na Europa, os índices operam em leve baixa, com o Stoxx 600 recuando 0,2%. O dólar se fortalece frente às principais moedas, com o índice DXY subindo 0,3%, enquanto o real brasileiro opera estável, cotado a R$ 5,20 por dólar. O ouro, tradicional ativo de refúgio, sobe 0,5%, negociado a US$ 1.950 a onça.

Petróleo e impactos na economia brasileira

A alta do petróleo, se sustentada, pode beneficiar a Petrobras, mas também pressiona os custos de combustíveis no Brasil, com potencial repasse à inflação. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou ontem que o governo monitora a situação e pode adotar medidas para mitigar impactos, mas destacou que "o Brasil está preparado para cenários adversos". Analistas do Itaú BBA, no entanto, alertam que um conflito prolongado pode gerar pressão sobre a balança comercial e o câmbio.

Agenda do dia: indicadores e eventos

Além do IPCA, a agenda brasileira inclui a divulgação do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) de maio, que deve mostrar estabilidade. Nos EUA, saem os dados de estoques de petróleo e a inflação ao produtor (PPI) de junho, que podem reforçar as expectativas de juros. O Federal Reserve já sinalizou que manterá a taxa básica entre 5,25% e 5,50%, mas dados mais fracos podem acelerar cortes. No cenário geopolítico, a ONU convocou reunião de emergência para discutir o conflito EUA-Írã, enquanto a União Europeia tenta mediar uma desescalada.

Perspectivas para os mercados

A combinação de riscos geopolíticos e dados econômicos domésticos deve manter a volatilidade nos mercados. Para o Brasil, um IPCA abaixo do esperado pode reforçar a aposta em corte de juros, impulsionando a bolsa e reduzindo prêmios de risco. No entanto, a guerra no Oriente Médio segue como o principal fator de incerteza, capaz de anular qualquer otimismo local. Investidores devem ficar atentos aos desdobramentos diplomáticos e às próximas declarações de autoridades americanas e iranianas.

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