Pela primeira vez em 15 semanas, o Boletim Focus do Banco Central registrou estabilidade nas projeções de inflação e juros. A previsão do IPCA para 2026 parou em 5,33%, interrompendo uma sequência de altas consecutivas. A taxa Selic manteve-se em 14%, após três aumentos seguidos.
Inflação ainda preocupa
Apesar da estabilidade, a inflação projetada de 5,33% para 2026 ainda está distante da meta de 3% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Especialistas apontam que o patamar elevado da inflação continua a pressionar a economia, especialmente o consumo e o crédito.
Para 2027, as expectativas de inflação continuaram a subir, indicando que o mercado ainda não vê uma convergência rápida para a meta. O Copom, em sua última reunião, reduziu a Selic para 14,25%, em meio a um cenário econômico incerto, com sinais mistos de atividade e pressões fiscais.
Mercado reage à pausa nas projeções
A interrupção da alta nas projeções foi recebida com cautela por analistas. Segundo o economista-chefe de uma corretora, "a estabilidade é um sinal de que o mercado pode estar encontrando um piso para as expectativas, mas ainda é cedo para afirmar que a trajetória de alta foi revertida".
O Boletim Focus é uma pesquisa semanal com instituições financeiras sobre as principais variáveis econômicas. A pesquisa mais recente, divulgada em 29 de junho de 2026, mostrou que as projeções para o PIB e câmbio também permaneceram estáveis.
Contexto econômico
A economia brasileira enfrenta desafios como a desaceleração global, a volatilidade cambial e as incertezas fiscais. A manutenção da Selic em 14% reflete a postura cautelosa do Banco Central, que busca equilibrar o controle da inflação com o estímulo ao crescimento.
Para o próximo Boletim Focus, o mercado aguarda sinais de que a inflação possa começar a ceder, especialmente com a perspectiva de safra recorde e a possível queda nos preços das commodities.



