No fim do ano, a procura por mão de obra cresce com as encomendas de Natal e a pressa do consumidor. Desta vez, as empresas estão tendo que se desdobrar para encontrar funcionários. Nas lojas e confecções, é difícil encontrar um estabelecimento sem anúncios de vagas para várias funções. Mais difícil ainda é encontrar gente para ocupar os postos de trabalho.
Só na região do comércio popular do Brás, no centro de São Paulo, são 10 mil vagas abertas. No bairro vizinho, o Bom Retiro, a situação não é diferente. A comerciante Camila tem 17 funcionários entre a loja e a oficina de costura, mas precisaria de mais três. No entanto, marca entrevistas e os candidatos não aparecem.
O jeito é tocar o negócio com ajuda de freelancers, que trabalham duas vezes por semana. São mulheres que se dividem entre os cuidados com o marido doente, como Tati, e um filho que demanda bastante, como o de Elis, que é autista. O baixo índice de desemprego é uma das explicações para a dificuldade em contratar trabalhadores fixos e formais.
Diante das dificuldades para atrair e segurar a mão de obra, quem sai ganhando são os trabalhadores. Aumento de salários e benefícios e fim da escala 6x1 são algumas das estratégias de uma empresa de logística. A competição nesse setor, especialmente durante as vendas de final de ano, é enorme. Por isso, a escala agora é de cinco dias de trabalho para dois de folga. Quem indica um novo contratado e não falta também se dá bem.
“A gente fez uma série de ajustes, não só com remuneração, mas também com benefícios. Um dos ajustes foi adaptar o fretado, para que as pessoas tenham melhores condições de viver. Todo mundo sai ganhando”, sinaliza Isabel Menendez, diretora de RH da distribuidora Loggi.



