O segundo trimestre de 2026 será marcado pelo contraste entre a força das empresas exportadoras e a fragilidade das companhias com atuação predominantemente local, de acordo com levantamento preliminar de balanços. Enquanto o agronegócio e a indústria de commodities impulsionaram os resultados, setores como comércio e serviços sentiram o impacto da desaceleração da economia doméstica.
Desempenho setorial revela disparidade
As empresas listadas no setor de exportação registraram crescimento médio de 12% na receita líquida em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionadas pela alta do dólar e pela demanda externa aquecida. Em contrapartida, as companhias voltadas ao mercado interno tiveram queda de 2,5% nas vendas, reflexo da inflação persistente e dos juros elevados.
Segundo levantamento da consultoria Econométrica, o lucro líquido das exportadoras avançou 18%, enquanto o das domésticas recuou 4%. “O câmbio favorável e os preços internacionais das commodities foram os principais vetores de crescimento para as exportadoras. Já as empresas locais sofrem com a redução do poder de compra das famílias e o crédito mais caro”, afirmou Carlos Alberto Mendes, analista da consultoria.
Agronegócio lidera alta
O agronegócio foi o destaque positivo, com aumento de 15% na receita, puxado pelas vendas de soja, milho e carne bovina. O setor de mineração também contribuiu, com crescimento de 10%. Por outro lado, o varejo e a construção civil amargaram quedas de 3% e 5%, respectivamente.
“A pandemia de 2020 e a crise hídrica de 2021 já haviam mostrado a resiliência do agro. Agora, a combinação de câmbio e demanda externa forte consolida o setor como motor da economia”, destacou Mendes.
Impacto na bolsa e expectativas
O índice Bovespa, que reflete o desempenho das maiores empresas, deve encerrar o trimestre com alta modesta, puxado pelos papéis de exportadoras. Já as ações de empresas domésticas tendem a sofrer pressão. Para o segundo semestre, a expectativa é de que a diferença se mantenha, a menos que haja mudança na política monetária ou no cenário internacional.
“O segundo trimestre deixou claro que a retomada econômica brasileira é desigual. Enquanto o setor externo brilha, o mercado interno patina”, concluiu o analista.



