Mercados globais em alerta: escalada EUA-Irã e pesquisa eleitoral derrubam Ibovespa futuro
Escalada EUA-Irã e pesquisa eleitoral derrubam Ibovespa futuro

O Ibovespa futuro opera em queda nesta segunda-feira (13), pressionado pela escalada das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã e por uma nova pesquisa eleitoral que mexe com o cenário político doméstico. O dólar comercial sobe ante o real, acompanhando o movimento de aversão ao risco nos mercados globais.

EUA intensificam ataques contra o Irã

Os Estados Unidos concluíram uma nova onda de ataques contra o Irã, com o objetivo declarado de degradar a capacidade de Teerã de mirar navios no Estreito de Ormuz. Segundo o governo americano, o Irã não controla a passagem estratégica, mas a ação militar elevou o temor de interrupções no fornecimento de petróleo. O secretário de Defesa dos EUA afirmou que os ataques foram “precisos e limitados”, mas não descartou novas operações caso o Irã retalie.

No front diplomático, a chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, defendeu a livre navegação no Estreito de Ormuz, sem qualquer tipo de pedágio, em resposta a ameaças iranianas de cobrança. O Irã, por sua vez, considera o memorando bilateral em “fase de crise” e condiciona o cumprimento do acordo com os EUA a contrapartidas que não foram detalhadas.

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Irã vê ‘fase de crise’ e condiciona acordo

Em comunicado oficial, o governo iraniano afirmou que o memorando de entendimento com os Estados Unidos está em “fase de crise” e que qualquer implementação depende de ações concretas de Washington. A declaração aumenta a incerteza sobre a estabilidade na região, que responde por cerca de 20% do tráfego global de petróleo. Analistas do Credit Suisse alertam que um fechamento do Estreito de Ormuz poderia elevar o preço do barril para US$ 120.

Pesquisa eleitoral mexe com cenário doméstico

No Brasil, a divulgação de uma nova pesquisa eleitoral para a Presidência da República agitou o mercado. O levantamento, feito pelo Datafolha, mostra queda na intenção de voto do atual presidente e crescimento de nomes da oposição. Investidores reagem com cautela, temendo mudanças na política econômica. “O mercado não gosta de surpresas eleitorais”, afirmou o economista-chefe de um banco de investimentos, em condição de anonimato.

Dólar sobe e juros futuros avançam

O dólar comercial opera em alta de 0,8%, cotado a R$ 5,12, refletindo a fuga para ativos seguros. Os juros futuros também sobem, com o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 projetando taxa de 12,45% ao ano, ante 12,30% do fechamento anterior. A curva de juros incorpora prêmio de risco político e externo.

Na Bolsa, as ações de empresas ligadas a commodities metálicas e petróleo caem, enquanto papéis defensivos, como elétricas e saneamento, registram leve alta. O Ibovespa futuro recuava 1,2% por volta das 10h30, aos 128.500 pontos.

Mercados asiáticos e europeus também caem

O índice Kospi, da Coreia do Sul, tombou 9% com a queda de ações de semicondutores, após a escalada EUA-Irã. A SK Hynix despencou após sua estreia na Nasdaq, em meio a realizações de lucros. Na Europa, as bolsas operam no vermelho, com o Stoxx 600 recuando 1,5%, puxado por petroleiras e mineradoras.

Petróleo e ouro sobem com aversão ao risco

O petróleo Brent avança 2,3%, cotado a US$ 87,50 o barril, com o prêmio de risco geopolítico. O ouro, tradicional porto seguro, sobe 1,8%, a US$ 2.450 a onça. “O mercado está reagindo ao pior cenário possível: conflito aberto no Oriente Médio combinado com incerteza eleitoral no Brasil”, resume um gestor de recursos.

Recomendações de ajuste de portfólio

Diante do cenário, analistas recomendam cautela. O Bradesco BBI sugere reduzir exposição a ativos de risco e aumentar alocação em renda fixa atrelada à Selic. A XP mantém otimismo com o PIB, mas prevê dólar a R$ 5,00 no curto prazo. “O investidor deve buscar proteção cambial e evitar ações muito sensíveis ao ciclo doméstico”, orienta relatório.

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