A economia brasileira cresceu 0,3% em maio na comparação com abril, de acordo com o Monitor do PIB, da Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado, no entanto, já mostra sinais de arrefecimento, segundo o coordenador do estudo, Claudio Considera.
Crescimento perde fôlego
O indicador aponta que o Produto Interno Bruto (PIB) acumula alta de 1,1% no trimestre encerrado em maio, na margem. Apesar do avanço, Considera destaca que a desaceleração é evidente: “O ritmo de crescimento está perdendo força. Em abril, a alta foi de 0,5% sobre março; em maio, caiu para 0,3%.”
Na comparação interanual, o PIB de maio foi 2,9% superior ao mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a maio, o crescimento é de 3,1% ante igual período do ano anterior.
Setores com desempenho misto
Pelo lado da oferta, a indústria cresceu 0,5% em maio ante abril, enquanto os serviços avançaram 0,2%. A agropecuária recuou 0,1% no período. “A indústria ainda sustenta, mas o setor de serviços, que tem grande peso no PIB, já dá mostras de cansaço”, afirma Considera.
Demanda interna e consumo das famílias
A demanda interna cresceu 0,3% em maio, puxada pelo consumo das famílias, que subiu 0,4%. Já a formação bruta de capital fixo (investimentos) caiu 0,2% no mês. “O investimento é o que mais preocupa. Sem investimento, não há crescimento sustentável”, avalia o economista.
As exportações de bens e serviços cresceram 0,6% em maio, enquanto as importações avançaram 0,8%.
Perspectivas para os próximos meses
Para Claudio Considera, a tendência é de desaceleração gradual nos próximos meses. “Os juros altos e a inflação ainda pressionada devem frear o consumo e o investimento. O ritmo de crescimento no segundo semestre deve ser menor do que o observado no primeiro.”
O Monitor do PIB da FGV é um indicador mensal que antecipa a tendência do PIB oficial, calculado pelo IBGE. A próxima divulgação do PIB trimestral pelo IBGE está prevista para setembro.



