As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam em baixa na terça-feira, com investidores reduzindo prêmios na curva a termo após a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) indicar que a Selic não subirá no curto prazo e que a busca pela meta de inflação será direcionada apenas para o primeiro trimestre de 2028. O movimento foi reforçado pelo recuo dos rendimentos dos Treasuries no exterior.
Movimento das taxas
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,545%, com baixa de 15 pontos-base ante o ajuste de 14,698% da sessão anterior. Já a taxa do DI para janeiro de 2035 caiu para 14,425%, queda de 10 pontos-base ante 14,52%.
A ata do Copom, que na semana passada cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano, reiterou que a projeção de inflação do Banco Central para o quarto trimestre de 2027 — atual horizonte relevante — está em 3,7%, acima do centro da meta de 3%. O BC voltou a defender que atingir os 3% no quarto trimestre de 2027 demandaria ajustes agressivos da Selic e faria a inflação ficar abaixo desse nível por diversos trimestres consecutivos.
Sinalização do Copom
Diante disso, o Copom considerou mais adequadas trajetórias de Selic “menos discrepantes”, com combinações de “momentos de pausa” e “retomada do ciclo de calibração” — ou seja, de corte — da taxa básica, com a inflação “convergindo para a meta no primeiro trimestre de 2028”. Em reação, as taxas dos DIs de curto prazo se firmaram em baixa logo cedo, enquanto as longas chegaram a sustentar ganhos, mas migraram para o território negativo durante a tarde.
“O Copom deixou claro que… este patamar (da Selic) ainda é bastante restritivo e que vai fazer a convergência da inflação à meta. O mercado tinha bastante alta precificada (na curva), até em reuniões do Copom no curto prazo, e reduziu um pouco este cenário de alta”, comentou o chefe da mesa de operações do C6 Bank, Felipe Garcia. “Pela ata, o BC não considera subir juros, ele considera parar e depois calibrar”, acrescentou.
Expectativas de interrupção
Para o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano, a ata elevou as chances de interrupção do atual ciclo de cortes da Selic já em agosto. “Achava que o mais provável era um corte na próxima (reunião do Copom). Agora acho que o mais provável é a interrupção”, afirmou Serrano, projetando uma parada dos cortes em agosto e uma retomada no quarto trimestre deste ano.
Entre muitos profissionais do mercado, no entanto, o discurso do BC não foi necessariamente positivo, por demonstrar preocupação com o cenário atual, mas insistir em uma convergência da inflação à meta somente em 2028. “Entendo que o BC até quis ser hawk (duro com a inflação) na ata, mas acabou confirmando que segue dove (brando) e confortável em não entregar o seu mandato”, disse o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, referindo-se à meta de inflação. Segundo ele, o BC “justificou o injustificável” no documento.
Influência externa
A baixa da curva a termo brasileira foi influenciada ainda pelo exterior, onde os rendimentos dos Treasuries caíram, em uma sessão de “risk-off” (fuga do risco), com investidores vendendo ações em Wall Street e comprando títulos norte-americanos. Às 16h33, o rendimento do Treasury de dois anos — que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo — tinha queda de 4 pontos-base, a 4,194%. Já o retorno do título de dez anos — referência global para decisões de investimento — caía 1 ponto-base, a 4,497%.



