As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) com prazos curtos e intermediários encerraram a quinta-feira em queda, após uma série de indicadores econômicos divulgados no Brasil e no exterior. Os rendimentos dos Treasuries de curto prazo oscilaram entre estabilidade e leves baixas, enquanto os de longo prazo subiram.
Movimento das taxas DI
No fechamento, a taxa do DI para janeiro de 2028 caiu para 13,88%, recuo de 6 pontos-base ante o ajuste anterior de 13,942%. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2035 subiu para 14,66%, alta de 3 pontos-base frente a 14,63%.
O recuo das taxas futuras curtas foi atribuído, segundo o economista-chefe do banco Bmg, Flavio Serrano, ao "conjunto da obra". "IPCA-15 baixo, deflação do IGP-M, atividade e confianças desacelerando, e lá fora os juros curtos estão caindo", afirmou Serrano, referindo-se ao IPCA-15 de terça-feira, que desacelerou mais que o esperado.
IGP-M e confiança do setor de serviços
Pela manhã, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o IGP-M caiu 1,16% em julho, após recuo de 0,50% no mês anterior. A expectativa em pesquisa da Reuters era de queda de 1,09%. Com esse resultado, o índice acumula alta de 2,76% em 12 meses. Além disso, o índice de confiança do setor de serviços recuou 3 pontos em julho, para 87,8 pontos.
Desemprego e renda
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou que a taxa de desemprego no trimestre encerrado em junho foi de 5,4%, em linha com as projeções. No mesmo período do ano anterior, o desemprego era de 5,8%. A renda média real dos trabalhos caiu 1,5% no trimestre até junho ante o trimestre anterior, para R$ 3.738; em relação a um ano antes, houve alta de 2,8%.
Arrecadação federal e déficit primário
A Receita Federal informou que a arrecadação do governo federal teve alta real de 7,72% em junho sobre o mesmo mês de 2025, somando R$ 264,437 bilhões, maior valor já registrado para o mês. No primeiro semestre, a arrecadação cresceu 6,63% acima da inflação, para R$ 1,587 trilhão, recorde para o período desde 1995.
À tarde, o Tesouro Nacional divulgou que o governo central teve um déficit primário de R$ 48,178 bilhões em junho, contribuindo para um rombo de R$ 92,227 bilhões no primeiro semestre, o pior resultado para o período desde 2020. O resultado de junho ficou praticamente em linha com o esperado, de R$ 48 bilhões.
Medidas fiscais e reação do mercado
Apesar dos resultados fiscais desfavoráveis, os agentes reagiram positivamente a notícias de que o governo estuda reduzir o limite anual de crescimento das despesas federais, reforçando o arcabouço fiscal. O secretário do Tesouro Nacional substituto, David Athayde, confirmou em entrevista coletiva: "Essa é uma medida que está em estudo, a Fazenda sempre estuda medidas adicionais que possam contribuir para a consolidação fiscal em curso."
Cenário externo
Nos Estados Unidos, o Departamento do Comércio informou que o PIB cresceu 1,5% no segundo trimestre, abaixo da expectativa de 2,1%. Os gastos do consumidor dispararam 3,2%, após crescimento de apenas 0,5% no primeiro trimestre. O núcleo do índice de inflação PCE avançou 0,1% em junho, menos que os 0,2% esperados. Os pedidos de auxílio-desemprego ficaram em 197 mil na semana passada, levemente abaixo dos 200 mil projetados.
Os rendimentos dos Treasuries de curto prazo oscilaram perto da estabilidade, enquanto os de longo prazo subiram. O rendimento do Treasury de dois anos fechou estável em 4,238%, e o de dez anos subiu 5 pontos-base, a 4,667%.
O petróleo Brent oscilou abaixo de US$ 90 o barril, em meio a tensões no Oriente Médio. Na noite de quarta-feira, os EUA atacaram dezenas de alvos da Guarda Revolucionária Islâmica no Irã, em resposta a disparos de mísseis balísticos contra forças norte-americanas.



