Jamie Dimon, presidente e CEO do JPMorgan Chase, voltou a manifestar cautela em relação aos títulos de renda fixa de longo prazo nos Estados Unidos. Em entrevista ao "The Master Investor Podcast", publicada nesta terça-feira (21), o executivo foi enfático ao ser questionado sobre os títulos do Tesouro americano com vencimentos mais distantes: "Eu não seria comprador."
Paralelo com a inflação dos anos 1970
Dimon traçou um paralelo com a espiral inflacionária vivida pelos EUA na década de 1970 para justificar sua posição cautelosa. Segundo ele, os investidores podem estar subestimando uma combinação de riscos, incluindo déficits fiscais recordes do governo americano, uma trajetória de juros em alta e um cenário geopolítico cada vez mais instável.
Resiliência da economia global
Apesar da ressalva sobre os títulos, Dimon afirmou enxergar maior resiliência da economia global diante de eventuais altas no preço do petróleo. Ele defendeu que o presidente Donald Trump persiga seus objetivos no Oriente Médio independentemente dos efeitos sobre a economia americana, que, segundo ele, tem capacidade de suportar esse impacto.
Visão sobre inteligência artificial
Sobre inteligência artificial, o banqueiro se disse otimista quanto ao potencial da tecnologia no longo prazo, mas cético em relação ao cronograma que o mercado tem embutido nos preços dos ativos. "Vai compensar? Provavelmente. Vai compensar da forma que você espera, no prazo que você espera? Definitivamente não", disse Dimon. Para ele, esse descompasso entre expectativa e realidade também está entre os motivos pelos quais não compraria o mercado de ações de forma ampla no patamar atual.
Preferência por prazos curtos no mercado
A visão de Dimon sobre os títulos longos dialoga com um movimento mais amplo identificado por bancos e gestoras internacionais, que têm convergido para a preferência por prazos curtos na renda fixa global, evitando a ponta longa da curva diante de preocupações persistentes com inflação e risco fiscal.



