O Parlamento Europeu decidiu suspender o processo de ratificação do acordo comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos, em resposta às recentes ameaças do presidente americano Donald Trump de impor tarifas a países que apoiarem a Groenlândia. A decisão foi confirmada nesta terça-feira (20) pelos principais grupos políticos da instituição.
Iratxe García Pérez, presidente do grupo S&D (social-democratas), afirmou que existe um "consenso majoritário" entre os grupos políticos para congelar o acordo. O tratado, firmado em 2025 pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já foi parcialmente implementado, mas ainda depende da aprovação do Parlamento Europeu.
O acordo estabelece uma tarifa americana de 15% para a maioria dos produtos da UE em troca da eliminação de tarifas europeias sobre produtos industriais e alguns agrícolas dos EUA. Von der Leyen havia fechado o acordo na esperança de evitar uma guerra comercial com Trump.
Antes do anúncio, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, já havia manifestado apoio à suspensão, classificando as ameaças de tarifas como "chantagem para obter concessões injustificáveis". A União Europeia prometeu uma resposta "firme" às ameaças de Trump contra a Groenlândia.
Oito países europeus, incluindo Reino Unido, Alemanha e França, enviaram uma missão militar de exploração à ilha na semana passada, manifestando oposição ao plano expansionista de Trump. O presidente americano reagiu ameaçando-os com tarifas.
Em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Von der Leyen alertou que as tarifas propostas são um erro e podem mergulhar as relações entre UE e EUA em uma "espiral descendente". O presidente francês, Emmanuel Macron, também presente em Davos, instou a UE a usar suas ferramentas comerciais para responder, acusando os EUA de quererem "enfraquecer e subordinar a Europa".



