Confiança do consumidor cai pelo 3º mês seguido e vai a 88,3 pontos em julho, aponta FGV
Confiança do consumidor cai a 88,3 pontos em julho, diz FGV

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas (FGV) registrou a terceira queda consecutiva em julho, atingindo 88,3 pontos, contra 90,1 pontos em junho. O resultado representa o menor nível desde maio de 2023.

Impacto da piora nas expectativas

O recuo foi influenciado tanto pela piora do Índice de Situação Atual (ISA) quanto do Índice de Expectativas (IE). O ISA caiu 2,3 pontos, para 86,7 pontos, enquanto o IE recuou 1,8 ponto, para 89,5 pontos.

Segundo a FGV, a deterioração das expectativas é mais acentuada entre as famílias de maior renda, refletindo incertezas sobre o cenário econômico e o mercado de trabalho. O componente que mede a intenção de compra de bens duráveis também apresentou queda.

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Contexto macroeconômico

O resultado vem em um momento de juros elevados e inflação persistente, que corroem o poder de compra das famílias. A taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, reduz o crédito e desestimula o consumo de bens de maior valor.

Para o economista da FGV responsável pela pesquisa, a sequência de quedas indica que o consumidor está mais cauteloso: "A confiança do consumidor vem perdendo força ao longo do trimestre, refletindo um cenário de maior incerteza fiscal e inflação ainda acima da meta."

Comparação histórica

O ICC acumula queda de 4,2 pontos no trimestre encerrado em julho. Na comparação com o mesmo mês de 2025, o índice está 0,8 ponto inferior, o que sugere que o otimismo observado no início do ano se dissipou.

A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 24 de julho, com mais de 2 mil domicílios em todo o país. Os dados são parte do Sistema de Sondagens da FGV, que monitora a percepção dos consumidores sobre a economia.

Perspectivas

Analistas avaliam que a confiança deve continuar pressionada enquanto o Banco Central não sinalizar corte nos juros. O mercado espera que a Selic permaneça elevada até o início de 2027, o que deve manter o consumo moderado.

A FGV destaca que a recuperação da confiança depende de sinais claros de controle da inflação e de estabilidade fiscal. Enquanto isso, o consumidor brasileiro segue mais pessimista quanto ao futuro.

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