Bolsa de NY em alta recorde: riscos de nova quebra como em 1929?
Bolsa de NY em alta recorde: riscos de nova quebra?

A Bolsa de Valores de Nova York atinge máximas históricas, desconcertando economistas que observam a escalada em meio a conflitos globais. O Dow Jones ultrapassou 52 mil pontos em junho, após superar os 50 mil em fevereiro. O S&P 500 registrou nove dias consecutivos de alta no final de maio, e o Nasdaq, impulsionado pela inteligência artificial, também estabelece novos recordes. No entanto, esses números levantam preocupações sobre uma possível repetição da crise de 1929.

O que foi a Grande Quebra de 1929?

Em entrevista ao podcast da BBC More or Less, o jornalista Andrew Ross Sorkin, autor de 1929: Por dentro da maior crise da história de Wall Street, descreve a quebra como a primeira e mais severa dos EUA. Na década de 1920, a prosperidade e o surgimento de tecnologias como automóveis e rádio atraíram investidores comuns. Em outubro de 1929, o mercado desabou. Sorkin explica que, entre 1929 e 1933, o valor total do mercado caiu cerca de 90%. Apenas em outubro e novembro de 1929, a queda foi de quase 50%.

Endividamento como gatilho

Um fator crucial foi o alto endividamento dos investidores. Muitos compravam ações com margem, usando dívida de até 10 vezes o patrimônio. "Se você tem US$ 100, pega emprestado US$ 1.000 para comprar ações e elas caem para US$ 500, perdeu cinco vezes mais do que tinha", ilustra Sorkin. Esse efeito alavancagem foi o primeiro dominó que levou à queda de 90% e ao desemprego de 25% em 1932.

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Falta de dados em tempo real agravou crise

Diferente de hoje, em 1929 não havia dados em tempo real. As cotações chegavam com atraso de horas ou até dias. "As pessoas se reuniam em Wall Street para tentar descobrir o que havia acontecido com seu dinheiro", lembra Sorkin. A desinformação gerou pânico e vendas em massa.

Comparação com múltiplos atuais

O índice preço/lucro (P/L) do S&P 500 ultrapassou 40, nível visto apenas no boom da internet e superior ao pico de 1929 (cerca de 30). "Podemos concluir que é provável que, em algum momento, haverá outra quebra", afirma Sorkin. Ele destaca que a dívida continua sendo o principal indicador de risco: "A alavancagem do sistema é o fósforo que acende o fogo".

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