O Bank of America (BofA) anunciou uma redução na exposição às ações do Brasil, alterando a classificação de overweight (exposição acima da média do mercado) para marketweight (neutro) em sua carteira para a América Latina. Em contrapartida, o banco elevou a exposição a Chile e Colômbia, manteve overweight na Argentina, marketweight no México e manteve alguma exposição ao Peru.
Motivos para o corte no Brasil
A decisão reflete um cenário mais desafiador para os juros e expectativas mais fracas de lucros. A equipe econômica do banco projeta agora a Selic em 14,25% ao final de 2026, ante 13,25% anteriormente, o que implica apenas um corte adicional em junho, seguido por uma pausa prolongada. “Os riscos de inflação permanecem inclinados para cima em meio à fraqueza do real, enquanto a volatilidade eleitoral aumenta”, aponta David Beker, chefe de estratégia, em relatório.
Oportunidades seletivas no Brasil
Apesar da redução geral, a equipe de Beker vê oportunidades seletivas: preferência por bancos bem preparados para um ambiente de crédito mais deteriorado, com baixo risco de lucros em um cenário de Selic elevada. Dentro do setor de utilities, o banco trocou Copel (CPLE3) por Equatorial (EQTL3), considerando valuation atrativo e opcionalidade em alocação de capital. Por outro lado, removeu Sabesp (SBSP3) pela falta de catalisadores de curto prazo, além de Ecorodovias (ECOR3) e Ânima (ANIM3), consideradas menos atraentes em um cenário de juros altos por mais tempo.
América Andina e outros mercados
Sobre a região andina, o BofA destaca um calendário político intenso. No Peru, a apuração do segundo turno presidencial segue apertada. Apesar da volatilidade, o banco mantém exposição via IFS, apoiado pelas condições macroeconômicas. Na Colômbia, foi adicionada a ação Davivienda, devido a valuation descontado e melhora da rentabilidade. No Chile, as inclusões foram Andina (forte momento de lucros) e BCI (margens resilientes e ganhos de eficiência). “Apesar de valuations menos atrativos em relação a outros mercados da América Latina, o ambiente macro chileno segue favorável, com expectativa de crescimento mais forte do PIB impulsionado por reformas em andamento”, aponta o relatório.
México: cautela
O BofA mantém o México em marketweight, com visão mais cautelosa. Os estrategistas identificam três principais fatores contrários: crescimento mais fraco do PIB, maior probabilidade de o USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá) migrar para revisões anuais (cerca de 70%) e aumento do risco político. O momentum de lucros também está enfraquecendo, com o BofA preferindo o setor imobiliário (Vesta, Funo) e nomes selecionados de consumo (Sigma, Arca, KOF).
Exposição na carteira para América Latina
Confira a exposição do BofA em sua carteira para América Latina em relação ao MSCI LatAm:
- Brasil: marketweight, 55,5% (MSCI: 58,7%, desvio -3,2 p.p.)
- México: marketweight, 25,5% (MSCI: 26,2%, desvio -0,7 p.p.)
- Chile: marketweight, 7,0% (MSCI: 6,7%, desvio +0,3 p.p.)
- Argentina: overweight, 5,0% (MSCI: 0,0%, desvio +5,0 p.p.)
- Peru: underweight, 4,0% (MSCI: 5,5%, desvio -1,5 p.p.)
- Colômbia: overweight, 3,0% (MSCI: 2,1%, desvio +0,9 p.p.)
Carteira de ações do BofA para a América Latina
Confira os principais papéis e seus pesos na carteira:
- JBS (Brasil): 2,5%
- Arca (México): 3,0%
- Raia Drogasil (Brasil): 3,0%
- Assaí Atacadista (Brasil): 2,5%
- Coca-Cola Femsa (México): 4,0%
- Coca-Cola Andina (Chile): 3,5%
- Sigma (México): 4,0%
- Petrobras PN (Brasil): 8,5%
- Bradesco (Brasil): 3,0%
- Itaú Unibanco (Brasil): 6,0%
- BTG Pactual (Brasil): 2,5%
- B3 (Brasil): 3,0%
- Banco Macro (Argentina): 2,5%
- BCI (Chile): 3,5%
- Davivienda (Colômbia): 3,0%
- Gentera (México): 4,0%
- IFS (Peru): 4,0%
- Regional (México): 4,0%
- Rede D'Or (Brasil): 2,5%
- Hypera Pharma (Brasil): 2,5%
- Localiza (Brasil): 3,0%
- Vale (Brasil): 7,5%
- FUNO (México): 3,0%
- Vesta (México): 3,5%
- Axia (Brasil): 3,5%
- Equatorial (Brasil): 3,0%
- Central Puerto (Argentina): 2,5%
- TOTVS (Brasil): 2,5%
Vale lembrar que, no fim de maio, o UBS também cortou a recomendação das ações brasileiras de “atrativas” para “neutra”, destacando uma mudança no perfil de risco versus retorno, mas acrescentando que a visão mais ampla para mercados emergentes continua construtiva.



