O anúncio de um acordo de paz preliminar entre Estados Unidos e Irã provocou forte queda nos preços do petróleo e impactou diretamente as ações da Petrobras. O barril do petróleo Brent recuou 5%, fechando a US$ 83, enquanto os ADRs (recibos de ações negociados em Nova York) da estatal brasileira caíram 4% no pregão desta segunda-feira.
Impacto no mercado de petróleo
A redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio, região responsável por grande parte da produção mundial de petróleo, aliviou os temores de interrupção no fornecimento. O acordo entre EUA e Irã, mediado por potências europeias, prevê a suspensão de sanções econômicas em troca de limites ao programa nuclear iraniano. Especialistas da consultoria Eurasia classificaram o Irã como o maior fracasso externo do governo Trump e afirmaram que o acordo é a melhor opção para estabilizar a região.
Reação da Petrobras e do mercado brasileiro
As ações da Petrobras na B3 também sofreram pressão, acompanhando o movimento externo. A queda do petróleo reduz as receitas da companhia, mas pode aliviar custos de importação de derivados. Analistas avaliam que o impacto no mercado brasileiro vai além da estatal: a queda do petróleo tende a reduzir a inflação, já que os combustíveis têm peso significativo no IPCA. O Boletim Focus, divulgado nesta segunda, elevou a projeção da inflação e manteve a Selic em 13,75% ao final de 2026, indicando que o Banco Central pode optar por uma pausa no ciclo de cortes.
Outros destaques do mercado
Além da Petrobras, outras empresas também movimentaram o noticiário. A JBS, Iochpe-Maxion, Axia Energia, Light e SLC Agrícola estão entre as ações recomendadas para acompanhamento. A Axia Energia aprovou o resgate de 576.923 ações preferenciais classe C, enquanto a Iochpe-Maxion aprovou a emissão de debêntures no valor de R$ 400 milhões. No setor de seguros, a BB Seguridade avançou e entrou em território de sobrecompra, enquanto a Cosan segue pressionada no Ibovespa.
Geopolítica e economia global
O acordo EUA-Irã também repercutiu na reunião dos líderes do G7, que discutiram os termos do cessar-fogo e a reconstrução da região. Na Europa, a guerra na Ucrânia continua a afetar a recuperação econômica, com o The New York Times destacando que o conflito afasta cada vez mais a perspectiva de crescimento. Enquanto isso, a Rússia intensificou ataques na Ucrânia, incendiando um complexo religioso e matando cinco pessoas.
Perspectivas para investidores
Com a queda do petróleo e a incerteza sobre a trajetória dos juros, investidores devem ficar atentos às oportunidades no mercado de crédito, considerado uma ilha em meio à tempestade macroeconômica. Fundos de crédito têm rendido mais após a ressaca no setor, e a XP indica os melhores papéis. Além disso, a estreia da SpaceX na Bolsa e o índice de surpresas econômicas são destaques da semana.



