Endividamento múltiplo e taxas mais altas
Um estudo da Serasa Experian, divulgado nesta quarta-feira, mostra que 74% dos trabalhadores que contrataram o Crédito do Trabalhador – modalidade de crédito consignado para a iniciativa privada lançada há cerca de um ano – possuem dois ou mais empréstimos ativos. Entre aqueles com múltiplas operações, 54,6% recorreram a bancos diferentes, indicando uma pulverização do endividamento.
Condições menos vantajosas ao longo do tempo
A pesquisa também aponta que parte dos trabalhadores passou a contratar o crédito em condições menos favoráveis. Segundo o levantamento, 29% dos consumidores que fizeram um segundo empréstimo assumiram taxas de juros superiores às da primeira operação. O estudo analisou 191.798 contratos de consignado privado vinculados a 88 empresas, considerando operações realizadas até abril deste ano e envolvendo 61 instituições financeiras.
Concentração em operações de baixo valor
O avanço da modalidade se deu principalmente em operações de menor valor. Do total de contratos firmados no primeiro ano, 44% envolveram empréstimos de até R$ 1.500. Nessa faixa, a taxa média mensal foi 7% superior à observada em operações anteriores de maior valor e prazo mais longo. Já os contratos acima de R$ 20 mil representaram apenas 1,9% das operações, mas apresentaram taxas médias menores e prazos mais extensos.
“Esse é um comportamento que indica uma concentração do novo consignado em operações de baixo ticket e curto prazo entre os trabalhadores que aderiram à modalidade”, comenta Délber Lage, CEO da SalaryFits, empresa da Serasa Experian.
Perfil de risco dos tomadores
Entre os consumidores que aderiram à modalidade, 68% registraram entre duas e cinco consultas ao CPF nos últimos seis meses, enquanto 69% possuem algum tipo de restrição financeira ativa, segundo a pesquisa.
“O amadurecimento do novo consignado passa não apenas pela expansão da oferta, mas também pela capacidade de garantir uso sustentável do crédito ao longo do tempo. A educação financeira e a transparência sobre taxas e condições serão fundamentais para a evolução saudável desse mercado”, diz Lage.



