Esquema de corrupção no Rio Metrópole ignorou auditoria e movimentou R$ 86 milhões
Corrupção no Rio Metrópole ignorou auditoria e movimentou R$ 86 mi

No dia 14 de abril, um mês após o desembargador Ricardo Couto assumir o governo do Estado, foi anunciada uma auditoria em todas as secretarias, autarquias, fundações e entidades da estrutura estadual. Mesmo assim, o Instituto Rio Metrópole (IRM) aumentou o valor de contratos suspeitos. Segundo uma investigação do Ministério Público do Rio, o esquema movimentou R$ 86 milhões nos últimos 4 anos.

Contratos suspeitos e aumento de 190%

No dia 14 de maio, um mês depois da auditoria ser anunciada, o presidente do IRM, Davi Perini Vermelho, o Didê, e o diretor de planejamento do órgão, Maurício Silva Knoploch dos Santos, assinaram mais um aumento no valor de um contrato suspeito, o quarto em dois anos. Os dois foram presos na operação do MP. Polícia Civil e MPRJ fazem operação contra corrupção no Instituto Rio Metrópole. O contrato foi feito com a empresa Engeconsult Consultores técnicos LTDA. Com o acréscimo, os ganhos da empresa foram triplicados, aumentando 190%: passaram de R$ 20 milhões em 2023 para quase R$ 60 milhões.

Auditoria aponta descumprimento legal

A conclusão da auditoria feita pela Controladoria Geral do Estado foi de que "a inclusão de um aditivo deste vulto descumpre o teto legal permitido", que é de 25%, pela Lei de Licitações. Pelo contrato, a Engeconsult deveria prestar "consultoria técnica multidisciplinar e assessoria técnica para estudos, planos, programas e projetos de ações previstas no plano metropolitano". Segundo a auditoria feita pela CGE, o contrato era um "emaranhado pouco compreensível" envolvendo riscos de terceirização indevida de atividades fim do Rio Metrópole, que não é claro ao definir o "objeto do contrato".

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Investigação continua e novas fraudes são apuradas

As investigações sobre fraudes no Instituto Rio Metrópole continuam, segundo o Ministério Público: "A investigação a respeito do Instituto Rio Metropole não está exaurida. Essa investigação diz respeito a esse fato. Outros fatos de superlativa gravidade, de gravidade igual ou superior a esse estão sendo objeto de investigação", afirmou o procurador-geral de Justiça do Rio, Antônio José Campos Moreira. Instituto Rio Metrópole teve verba de R$ 480 milhões em gestão de presidente preso.

Decisões rápidas e falta de transparência

Enquanto isso tudo ocorria, os promotores do Ministério Público percebiam que as decisões sobre este contrato específico eram tomadas muito rapidamente. Em um despacho do dia 30 de abril de 2025, Mauricio Knoploch determinou à gestora do contrato que entre em contato com a Engeconsult para informar sobre a permanência no interesse da contratação, 23 minutos depois de receber o parecer jurídico. O Instituto Bio, também envolvido no esquema, recebeu dois dias depois a primeira transferência, no valor de R$ 135 mil. Pedidos de pagamento também eram decididos em poucas horas; um deles chegou às 11h20 de um dia. Poucas horas depois, às 16h14, já estava nas mãos do procurador-geral do IRM, Marcelo Lopes da Silva, também preso na operação de semana passada. Segundo o MP, o procurador contrariou pareceres que impediam o pagamento das verbas e "em momento algum, se constrangeu em, minimamente, submeter a questão à Procuradoria-Geral do Estado, órgão central de assessoria jurídica do governo".

Eleição de Didê e falta de apoio de dois prefeitos

O cargo de presidente do IRM, com duração de 4 anos, é escolhido a partir de votação entre os prefeitos da Região Metropolitana do Rio. Davi Perini, o Didê, foi eleito com aval do ex-governador Cláudio Castro. Dos 22 municípios da região, somente Niterói e Maricá não manifestaram apoio à escolha.

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