A gestora WHG, conhecida por sua atuação no mercado de ações internacionais, divulgou recentemente sua visão sobre o impacto de um eventual aperto monetário pelo Federal Reserve (Fed) nos diferentes setores da economia. A conclusão é que as empresas de inteligência artificial (IA), especialmente as chamadas hyperscalers, estão praticamente imunes a esse movimento, enquanto companhias de outros segmentos enfrentariam maiores desafios.
Andrew Reider, representante da WHG, destacou em evento que “o juro subindo impacta muito mais quem não está em IA, porque não tem esse suporte do 'boom'”. A frase resume a tese da gestora: o ciclo de investimentos em IA é tão intenso que sustenta a demanda e as receitas das gigantes de tecnologia independentemente das condições macroeconômicas.
O que são hyperscalers e por que estão protegidas
As hyperscalers são empresas que operam data centers em escala massiva, oferecendo serviços de computação em nuvem e infraestrutura para inteligência artificial. Entre os exemplos mais conhecidos estão Amazon (AWS), Microsoft (Azure) e Google (Google Cloud). Essas companhias estão no centro do boom da IA, pois fornecem a capacidade de processamento necessária para treinar e executar modelos avançados, como os da OpenAI e da Anthropic.
De acordo com a WHG, o fluxo de caixa gerado por esses negócios é robusto e tende a crescer, já que a adoção da IA está apenas no início. Mesmo com juros elevados, as hyperscalers conseguem manter seus planos de expansão e gerar retornos atrativos para os acionistas. Reider ressalta que “o mercado de IA ainda tem muito espaço para crescer, e as empresas que dominam a infraestrutura necessária para isso estão em uma posição privilegiada”.
Contraste com setores tradicionais
Por outro lado, a WHG alerta que setores não vinculados à inteligência artificial tendem a sofrer mais com um ciclo de alta dos juros. Indústrias como a automotiva, a de bens de consumo duráveis e a de varejo são mais sensíveis ao custo do crédito e à desaceleração da economia. Empresas com endividamento elevado podem ver suas despesas financeiras crescerem, comprimindo margens e reduzindo a capacidade de investimento.
“Quando os juros sobem, o custo de capital aumenta para todos, mas as empresas de IA têm a vantagem de estar em um setor que atrai investimentos maciços, independentemente do cenário”, explica Reider. A WHG, portanto, mantém exposição relevante a essas empresas, enquanto reduz posições em setores cíclicos.
Perspectivas para o Fed e os mercados
O Federal Reserve manteve a taxa básica de juros entre 5,25% e 5,50% ao ano desde julho de 2023, e as projeções indicam que cortes podem demorar mais do que o esperado. Dados recentes de inflação acima do previsto nos Estados Unidos reforçaram a cautela do banco central, e o mercado passou a precificar menos reduções dos juros em 2024.
Nesse contexto, a visão da WHG ganha relevância: se houver um novo aperto, as ações de tecnologia com exposição à IA podem se sair melhor do que o restante do mercado. Entretanto, a gestora ressalta que essa blindagem não é total – um ciclo de juros muito prolongado poderia eventualmente afetar também essas empresas, principalmente se houver uma desaceleração global mais severa.
Por enquanto, a aposta da WHG é clara: a inteligência artificial é o tema central dos próximos anos, e as empresas que lideram esse movimento oferecem proteção contra os ventos contrários da política monetária.



