Tesouro IPCA+: quanto tempo para juntar R$ 100 mil com aportes de R$ 500
Tesouro IPCA+: tempo para juntar R$ 100 mil com aportes de R$ 500

Para investidores que buscam construir patrimônio com a segurança da renda fixa, os títulos atrelados à inflação têm se destacado pelo juro real de 7% a mais de 8% que vêm oferecendo. Mas qual o impacto da variação das taxas na construção de uma reserva robusta? João Debom, sócio da Alude Capital, calculou o tempo necessário para acumular R$ 100 mil partindo do zero, com aportes mensais de R$ 500, em quatro títulos do Tesouro IPCA+.

Simulação de acumulação

A simulação testou as projeções nos títulos com vencimentos em 2029, 2032, 2040 e 2050. O resultado foi curioso: o tempo de acumulação é bastante parecido em todos eles, variando entre 10 e pouco mais de 11 anos. Confira os dados:

  • Tesouro IPCA+ 2029 (taxa: IPCA + 8,27%): ~10,6 anos (128 meses) – vence em maio de 2029 (2,8 anos) – total investido: R$ 64 mil
  • Tesouro IPCA+ 2032 (taxa: IPCA + 8,45%): ~10,6 anos (127 meses) – vence em agosto de 2032 (6,1 anos) – total investido: R$ 63,5 mil
  • Tesouro IPCA+ 2040 (taxa: IPCA + 7,48%): ~11,0 anos (132 meses) – vence em agosto de 2040 (14,1 anos) – total investido: R$ 66 mil
  • Tesouro IPCA+ 2050 (taxa: IPCA + 7,15%): ~11,1 anos (133 meses) – vence em agosto de 2050 (24,1 anos) – total investido: R$ 66,5 mil

A simulação não considera o desconto do Imposto de Renda nem a taxa de custódia da B3 (0,20% a.a.), fatores que reduziriam ligeiramente a rentabilidade líquida e aumentariam um pouco o prazo real.

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Explicação matemática do “empate”

A proximidade do tempo de acumulação tem uma explicação matemática, segundo Debom. Os papéis mais curtos (2029 e 2032) pagam uma taxa real um pouco maior, mas têm menos prazo de maturação. Em contrapartida, os títulos mais longos (2040 e 2050) pagam um prêmio menor, mas se beneficiam de uma janela de tempo muito maior pela frente. “No fim das contas, esses dois efeitos se cancelam”, explica o sócio da Alude Capital.

Há, porém, uma ressalva para quem foca na ponta curta da curva de juros. Nos títulos de 2029 e 2032, o prazo necessário de aproximadamente 10,6 anos para juntar os R$ 100 mil ultrapassa a data de vencimento do papel. “Na prática, seria impossível chegar lá com esse título em específico”, afirma Debom. O investidor teria o capital devolvido na conta antes de bater a meta e precisaria observar as novas condições de mercado para realizar uma rolagem, fazendo uma nova aplicação. Nesses dois casos, trata-se apenas de uma simulação matemática, não de um plano de investimentos perfeitamente contínuo. Outro ponto importante é que o cálculo considera as taxas estáveis, o que, na prática, não acontece.

Riscos e perfil do investidor

Apesar do forte potencial de acúmulo, o Tesouro IPCA+ exige disciplina rígida e um perfil alinhado à estratégia. Ricardo Gallo, sócio da Ethica Serviços Financeiros, alerta que papéis atrelados à inflação expõem o investidor a um risco alto de volatilidade devido à marcação a mercado. “Por se tratarem de títulos com alta duração, qualquer solavanco na curva de juros gera uma perda substancial na tela da corretora”, explica.

Gallo é taxativo ao afirmar que esses papéis não podem ser encarados como substitutos para a liquidez diária ou caixa de curto prazo. “É um papel para perfil previdenciário, seja nos produtos de previdência ou seja através de investimento direto”, pontua. Ele conclui reforçando que o investimento faz sentido para quem deseja travar rendimentos robustos frente à inflação, desde que a pessoa tenha clareza de que essa é uma poupança estrutural de longo prazo.

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