S&P 500 domina investimentos com 69 anos de performance e US$ 2,8 tri em ETFs
S&P 500: 69 anos de performance e US$ 2,8 tri em ETFs

O S&P 500, principal índice de ações do mundo, representa mais de 500 empresas com valor superior a US$ 67 trilhões. Sua importância no mercado de investimentos é evidenciada pelos números: quatro dos vinte maiores ETFs dos Estados Unidos, incluindo os três maiores, são indexados ao S&P 500. Somados, esses produtos possuem cerca de US$ 2,8 trilhões em patrimônio, o que equivale a aproximadamente 17,7% do mercado de ETFs norte-americano. Isso sem contar variações como ETFs alavancados, inversos, com tilts fatoriais ou setoriais.

Relevância no Brasil

Na indústria brasileira de investimentos, o S&P 500 é a principal alternativa para diversificação internacional. Em suas variações com e sem exposição cambial (hedgeado), é o terceiro principal índice utilizado por ETFs, respondendo por pouco mais de 13% da indústria de ETFs brasileira. Considerando o número de cotistas, os ETFs de S&P 500 representam o índice isolado com a maior quantidade de investidores entre os ETFs locais, com mais de 310 mil investidores, segundo dados da XP Asset Management e Quantum de 29 de maio de 2026.

Consistência e performance histórica

Lançado em março de 1957, o S&P 500 possui 69 anos de histórico de performance. Em dólar, registrou 51 anos de performance positiva, ou 73% do total, considerando o resultado até 2026. Em comparação, o Ibovespa, principal índice brasileiro, possui 68% de anos positivos em sua amostra, sem considerar a inflação recorrentemente maior no Brasil. Neste século, mesmo com a crise financeira de 2008, o S&P 500 rendeu 474% ou 7% anualizado, o que ajuda a explicar sua predileção no mundo dos investimentos.

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Desafio para a gestão ativa

Essa rentabilidade representa um desafio para a gestão ativa. Segundo o relatório SPIVA da S&P Global, apenas cerca de 11% dos gestores ativos conseguiram superar o índice em janelas de 5 anos. Em prazos mais curtos, o percentual é maior, mas varia pouco em janelas de 10 e 15 anos, e não há permanência elevada nesses períodos. Dados mostram que 78,8% dos fundos perdem para o S&P 500 em 1 ano, 66,8% em 3 anos, 89,0% em 5 anos, 85,6% em 10 anos e 89,9% em 15 anos.

Alternativas para superar o índice

A indústria indexada desenvolveu alternativas para superar o S&P 500 com consistência, sem depender de gestores profissionais. Três abordagens estão disponíveis no mercado de ETFs brasileiros:

Replicação via derivativos

Presente há anos na indústria de fundos, a replicação via um ETF que investe simultaneamente em contratos futuros de S&P 500 e de Dólar da B3 é a mais nova alternativa. A estratégia, utilizada a partir de maio pelo SPXU11, superou o índice em cerca de 40% desde o início do backtest, sem alteração significativa na volatilidade.

Exposição via UCITS

Os ETFs norte-americanos são obrigados a distribuir dividendos com retenção de 30% de imposto de renda na fonte. Dado o dividend yield de aproximadamente 1,1% nos últimos 12 meses, essa retenção representou uma perda de 0,33% para investidores. Como alternativa, surgiu em 2025 o GPUS11, primeiro ETF a investir no S&P 500 via um veículo UCITS, com alíquota menor e reinvestimento direto dos proventos. Os principais ETFs UCITS somam mais de US$ 440 bilhões no mercado europeu; o maior, CSPX da Blackrock, rendeu 437% desde janeiro de 2016, superando a versão descontada de IR do S&P 500, mas ainda 30,5% abaixo da versão via futuros locais.

Dividendos sintéticos

A terceira alternativa são os ETFs com dividendos sintéticos, que utilizam estratégias com derivativos, geralmente venda de opções de compra (calls) sobre a carteira. Essa operação gera receita distribuída como dividendos. O mercado americano possui aproximadamente US$ 190 bilhões nesse tipo de estratégia. No Brasil, exemplos são SPYI11 e XSPI11. A atenção é que, ao vender opções, o ETF abre mão de parte do ganho em momentos de forte valorização. Os dividendos sofrem retenção de 15% de IR na fonte.

A forte performance relativa ao Ibovespa e a descorrelação com fatores de risco locais reforçam a atratividade desses instrumentos, que tendem a estar presentes no portfólio da maioria dos investidores.

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