O Santander Brasil enfrenta um momento de forte desvalorização em relação à sua matriz espanhola, com a diferença de valuation atingindo níveis recordes. Enquanto o Santander total (SAN) negocia a cerca de 0,7 vez o valor patrimonial, a unidade brasileira (SANB11) está em 0,4 vez, um desconto histórico. A disparidade reflete os desafios específicos do Brasil, como inadimplência elevada, margem financeira pressionada e custos operacionais altos.
Razões para o desconto recorde
O Santander Brasil tem sofrido com a piora na qualidade dos ativos, especialmente em crédito consignado e cartões. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,5% no primeiro trimestre, ante 2,8% no mesmo período de 2022. Além disso, a margem financeira líquida caiu 6% no trimestre, impactada pela concorrência acirrada e pela alta da Selic, que encarece a captação. O banco também enfrenta custos operacionais mais altos, com despesas administrativas crescendo 8% no período.
Impacto nos resultados e valuation
O lucro líquido do Santander Brasil caiu 15% no primeiro trimestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024, totalizando R$ 2,8 bilhões. O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) recuou para 11,5%, abaixo da média dos pares. Enquanto a matriz espanhola mantém um ROE de 13%, a diferença de desempenho justifica o desconto. Segundo analistas do Bradesco BBI, “o Santander Brasil precisa mostrar uma recuperação consistente nos resultados para reduzir o desconto”.
O que esperar das ações
Para os investidores, a situação pode representar oportunidade ou risco. O desconto recorde sugere que o mercado já precifica cenários negativos, mas a recuperação depende de fatores como controle da inadimplência e melhora da margem. O banco espera que a inadimplência atinja o pico no segundo semestre de 2025, com melhora gradual em 2026. Caso isso se confirme, o valuation pode se aproximar do da matriz. No entanto, se os problemas persistirem, o desconto pode se manter ou aumentar.



